Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Após 1 ano, Rio vai reconstruir museus

BNDES dá R$ 6,2 milhões para o Açude e a Chácara do Céu, afetados pela chuva

Felipe Werneck / RIO, O Estado de S.Paulo

25 Março 2011 | 00h00

Quase um ano após a chuva que arrasou vários pontos do Rio em abril de 2010, a obra da artista Iole de Freitas continua soterrada na piscina do Museu do Açude, no Alto da Boa Vista, zona norte. A boa notícia é que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou contrato de apoio financeiro (não reembolsável) no valor de R$ 6,2 milhões para recuperar o que foi destruído no Açude e na Chácara do Céu, em Santa Teresa, zona sul.

O segundo museu também receberá um prédio anexo para abrigar a reserva técnica do acervo de Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894-1968), entre outras melhorias.

"É tudo muito difícil e complicado de acontecer, mas depois que acontece é uma maravilha", diz a diretora dos Museus Castro Maya, Vera de Alencar. "Tem uma frase da (escritora) Nélida Piñon que eu adotei: "Num País em que você é estimulado a desistir todos os dias, tudo o que se consegue realizar tem um valor maior"."

No Museu do Açude, o projeto prevê a recuperação de um prédio interditado que abrigava a recepção, a administração e uma parte das exposições (a galeria Louça do Porto, além de fotografias e objetos de Castro Maya). A estrada interna que levava ao estacionamento foi destruída pela enxurrada. Será reconstruída, com as obras de contenção e reparo de encostas. A casa principal não foi afetada, mas muitas obras de arte precisaram ser levadas para lá, o que impediu seu funcionamento.

O local abriga a coleção de arte oriental reunida por Castro Maya, objetos do mobiliário luso-brasileiro e parte da coleção de azulejaria portuguesa.

A obra Dora Maar na Piscina, de Iole de Freitas, estava exposta desde 1999, quando foi criado o Espaço de Instalações Permanentes. Há outras dez obras espalhadas nos jardins do museu, de artistas como Hélio Oiticica, Lygia Pape e Nuno Ramos, entre outros, que não foram afetadas e podem ser visitadas normalmente. O museu ocupa área de 151 mil m² na Floresta da Tijuca e recebia em média 2 mil pessoas por mês antes da destruição.

"Tem gente visitando a parte externa, mas o pessoal quer ver mesmo a casa. A gente não tinha mais o que dizer para os visitantes", diz o funcionário Antônio Carlos dos Santos.

Segundo Vera, as obras no Açude e na Chácara do Céu - onde parte do muro desabou - vão custar R$ 2 milhões (R$ 150 mil para a obra de Iole). Os outros R$ 4,2 milhões serão aplicados na construção do anexo da Chácara do Céu, que vai guardar obras dos dois museus. Ela espera começar as obras no segundo semestre e terminar até o fim do ano.

O anexo tem projeto do arquiteto Ernani Freire. Hoje, o museu funciona sem reserva técnica e até banheiros da antiga residência de Santa Teresa foram adaptados para guardar obras. Também estão previstos no novo anexo cafeteria, bistrô, auditório, área administrativa e elevador em plano inclinado.

Originalmente propriedades do empresário e colecionador Castro Maya, os museus são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

PARA LEMBRAR

Em quatro anos, dois eventos abalaram o Museu da Chácara do Céu. Em fevereiro de 2006, três homens armados até com granadas roubaram várias obras com preço inestimável. Os bandidos levaram A Dança, de Pablo Picasso, O Jardim de Luxemburgo, de Henri Matisse, Dois Balcões, de Salvador Dalí, e Marinha, de Claude Monet, além de uma gravura de Picasso. No começo de 2010, as fortes chuvas em todo o Estado do Rio afetaram o museu, no bairro de Santa Teresa. A construção, de 1954, ficou dias sem eletricidade, teve um muro derrubado e ficou com acesso dificultado por causa de deslizamentos na Rua Murtinho Nobre.

Reabertura

O Palácio do Horto, residência oficial de verão do governador de São Paulo, na zona norte da capital, será reaberto domingo após três meses de reforma, com mostra sobre cerâmica artística.

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