Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Aplicativo indica áreas sem sinal de celular

Paulistanos se unem na internet e criam ferramentas para não ficar sem telefone

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2012 | 03h06

Fazer ligações, trocar mensagens de texto, checar e-mails, indicar caminhos como um GPS. Com os aparelhos celulares cada vez mais modernos e cheios de funções, a dependência do consumidor e o desejo de ter o aparelho sempre funcionando e com sinal completo têm crescido. Entre os paulistanos essa necessidade é tão grande que já há quem pense soluções - grande parte colaborativas -, para tentar mapear onde existe sinal.

Depois de quase perder uma entrevista de emprego por não conseguir acessar seu e-mail, o designer de interação Daniel Souza decidiu criar o site 3GFail, no qual pretende, com a ajuda de outros usuários, mapear lugares da capital onde o sinal de celular é insuficiente. "Foi uma questão pessoal, mas acredito que essa informação pode ser útil para as pessoas. Pagamos por um serviço que não recebemos totalmente", diz.

O domínio estava registrado havia mais de um ano, mas o site somente foi lançado 15 dias atrás. Para colaborar é fácil: basta mandar um e-mail, ou twittar com os dizeres #3GFail. Nos primeiros dias, Souza recebeu mais de 30 contribuições, e, para sua surpresa, elas não vieram apenas de São Paulo. "Todos querem informações claras e rápidas de como é o serviço. E é uma plataforma que depende da contribuição de todos."

Morador da zona leste, o programador Wellington Lima não consegue viver sem o celular. "Não digo que sou fissurado, mas saber qual é a cobertura oferecida foi determinante para escolher uma operadora", diz. Wellington conta que até pouco tempo tinha um mapa com a localização das torres de celular. "Fazendo algumas buscas na internet, descobri um aplicativo que poderia me ajudar e abandonei os mapas." Ele é um dos fãs cativos do Open Signal, aplicativo que funciona como banco de informações enviadas pelos celulares sobre a força do sinal.

O interesse do programador é tão grande que ele se voluntariou a traduzir o aplicativo para o português. "Quanto mais gente usando, mais correto fica o mapa", afirma. O trabalho deu certo: em agosto, São Paulo ficou em primeiro lugar na lista de cidades do mundo que mais fazem o download do aplicativo, com quase 19 mil acessos.

O melhor possível. Para James Robinson, um dos criadores do Open Signal, não é uma surpresa que a cidade esteja nessa lista. "A explosão do uso do celular, especialmente os smartphones, torna difícil para as operadoras oferecerem um sinal perfeito. As pessoas estão indo atrás da melhor cobertura possível e nós as ajudamos a fazer isso", afirma.

Além do Open Signal, outros dois aplicativos gringos já fazem sucesso: Rootmetrics e Sensorly. "Esta é uma maneira de mostrar como é a experiência real do usuário, além dos cálculos matemáticos", completa Robinson. 

SERVIÇO

OPEN SIGNAL. HTTP://WWW.OPENSIGNAL.COM

ROOTMETRICS. HTTP://WWW.ROOTMETRICS.COM

SENSORLY. HTTP://WWW.SENSORLY.COM

TODOS SÃO GRATUITOS.

COMO FUNCIONA

1 - Usuário

O interessado deve entrar nos sites e fazer o download do aplicativo.

2 - Coleta

Com a movimentação pela cidade, o programa coleta informações de cobertura.

3 - Dados

Uma vez por semana, o aplicativo envia informações para uma central.

4 - Desenho

As informações de todos os usuários são computadas e lançadas em um mapa.

5 - Confidencialidade

Nenhum outro tipo de dado é enviado, só os relacionados à abrangência de sinal.

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