Aplicativo faz raio X de estradas federais

Software oferece mapeamento detalhado sobre acidentes nas rodovias da União; no primeiro semestre, foram 88.979 ocorrências no País

Luciano Bottini Filho e Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2013 | 02h07

Um raio X detalhado e inédito da situação das estradas federais mostra que 88.979 acidentes foram registrados na malha rodoviária no primeiro semestre deste ano - ao todo, 3.165 pessoas morreram no período, ou mais de 17 por dia. As estatísticas são da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e constam de um novo aplicativo para celular e internet que destrincha o perfil dos acidentes viários nas artérias que cortam o Brasil. Há dados disponíveis desde o primeiro semestre de 2007.

Entre janeiro e junho deste ano, 46.584 pessoas ficaram feridas em ocorrências nas rodovias federais, revela a ferramenta. O trecho mais crítico vai do quilômetro 200 ao 210 da BR-101, em Santa Catarina. Ali, a PRF anotou 718 acidentes, com 302 feridos e 4 mortes.

No caso do Estado de São Paulo, a Via Dutra, que passou para a administração da iniciativa privada em 1996, é a mais perigosa entre as federais. Em solo paulista, existem outras estradas da União, como a Fernão Dias e a Régis Bittencourt, que, na prática, é a continuação da BR-116, a mesma designação federal que recebe a Via Dutra.

No primeiro semestre, houve 435 acidentes e 5 mortes entre os km 220 e 230, em Guarulhos, na Grande São Paulo, o que coloca a Via Dutra na nona posição do ranking de trechos mais violentos das federais no País. Outros dois trechos no Estado estão entre os 50 mais perigosos do Brasil: o que vai do km 210 ao 220, também em Guarulhos, e o do km 140 ao 150, em São José dos Campos.

Esses são justamente dois dos três pontos da rodovia onde tradicionalmente costumam haver congestionamentos, por causa do excesso de veículos - o outro fica na chegada a São João do Meriti, na Região Metropolitana do Rio.

Lentidão. O anda e para frequente dos horários de pico ajuda a explicar boa parte dos acidentes da rodovia. Segundo a PRF, o tipo mais comum de ocorrências no trecho mais crítico, em Guarulhos, são as batidas traseiras. Elas respondem por quase metade dos acidentes naquela altura da estrada.

Dono de um guincho há mais de 30 anos, Edson Correia de Araújo, de 59, reconhece a imprudência do motorista como o maior fator de colisões. "Ninguém quer assumir. Todos falam que foram fechados por um caminhão. A gente até brinca que nunca encontraram esse caminhão", diz.

Pelos dados da PRF, a falta de atenção é a principal causa de acidentes. O chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, explica que celulares e aparelhos de GPS podem distrair o motorista em trechos congestionados. "A lentidão também pode levar ao estresse, que tira a vigília."

A concessionária CCR Nova Dutra atribui os acidentes ao excesso de veículos nos três trechos. Entre os km 220 e 230, por exemplo, são 239 mil veículos por dia, nos dois sentidos.

Régis. O trecho mais problemático da Régis Bittencourt em São Paulo fica perto da divisa com o Paraná, em Barra do Turvo, entre os km 560 e 570. De acordo com a PRF, foram registrados 219 acidentes, com 55 feridos e uma morte. No mesmo período do ano passado, houve 257 ocorrências no local, marcado por curvas sinuosas e aclives e declives, nos dois sentidos.

Segundo a concessionária Autopista Régis Bittencourt, os acidentes mais comuns nesse trecho são capotamentos, saídas da pista e colisões com objetos fixos, "com maior incidência de ocorrências em pistas molhadas".

A empresa divulgou, em nota, que "neste trecho trabalham dez veículos operacionais para inspeção da rodovia e atendimentos às ocorrências de acidentes e incidentes, com monitoramento 24 horas".

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