Aplicativo de táxi vira hit na noite paulistana

Um em cada cinco taxistas paulistanos já adota o serviço, que fez cair tempo de espera

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

10 Março 2013 | 02h06

Quem sai à noite em São Paulo sabe que chamar um táxi depois das 22 horas exige paciência. As centrais de tele ou radiotáxi têm espera de até 50 minutos - e não é todo mundo que se sente seguro em chamar um táxi na rua. Com a chegada dos aplicativos para smartphone que encontram o táxi mais perto do passageiro, isso vem mudando.

Hoje, cerca de 20% dos 33 mil taxistas de São Paulo usam os principais aplicativos do mercado. Paulistanos contam que a espera pelo táxi chamado com essa tecnologia não passa dos dez minutos. Para as empresas que desenvolvem os aplicativos, o movimento da noite já representa mais da metade das chamadas.

"Percebemos que, quando um usuário testa o serviço pela primeira vez, geralmente é à noite", comenta Sandro Barretto, do aplicativo Taxibeat.

O serviço dos "pontos de táxi eletrônicos", como são chamados, começou em São Paulo em meados do ano passado, mas só agora começa a virar tendência.

"A região onde moro, no Alto de Pinheiros, é extremamente residencial e não passa táxi na rua assim tão fácil. Aí você liga para o ponto, não tem ninguém. Na central, demora. No aplicativo é diferente, sempre tem", conta a empresária Lorena Vicini, de 29 anos. Ela afirma que usa o aplicativo sobretudo depois de festas, na madrugada, quando se sente mais insegura para pegar um táxi na rua. "É perigoso ficar esticando a mão na rua às 2 da manhã."

O cofundador do aplicativo 99Táxis, Paulo Veras, diz que mais de 50% das corridas são feitas à noite. "De dia, nada mais rápido do que acenar para um táxi. Mas à noite funcionamos como um cupido entre o passageiro e o taxista mais próximo."

Localização. O sistema funciona por GPS. O usuário visualiza em um mapa os táxis da redondeza e chama um deles. Dá para acompanhar o trajeto do taxista e, se for o caso, cancelar a chamada. "Em São Paulo, os passageiros são mais responsáveis e a taxa de cancelamento é mínima", diz Tallis Gomes, CEO da Easy Taxi, que diz tratar casos de cancelamento - tanto da parte do taxista quanto do passageiro - como um "evento". "Ligamos para 100% dos que cancelaram uma corrida para entender o motivo. Quando há um caso de desrespeito, banimos o usuário."

Para o taxista Fernando Moreira, o "extra" das corridas que faz com o aplicativo é o que o mantém na profissão. "Trabalho em um ponto durante o dia e ontem mesmo fiz um extra à noite por causa das chamadas por aplicativo", diz. "No fim de semana, às 4h, eu não dou mais conta. Falo para os colegas, eles não acreditam", diz José Ronaldo Pereira, outro taxista.

Há três meses, o empresário Marcelo Siqueira, de 41 anos, não espera nem terminar uma reunião e já aciona o táxi pelo aplicativo. "Demora cinco, dez minutos. É uma evolução do serviço", diz.

As empresas afirmam garantir a segurança dos passageiros exigindo toda a documentação do taxista cadastrado: alvará, cadastro profissional na Prefeitura e foto. "Existe ainda um call center de retaguarda tanto para o passageiro quanto para o motorista", explica Nathan de Vasconcelos Ribeiro, da Taximov, que não é aplicativo, mas um sistema para chamar táxi via internet. "É tão comum como ligar para um taxista. O que mudou foi que, em vez da voz no telefone, os detalhes da corrida ficam no computador ou no celular."

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