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Mulheres preparam ‘apitaço’ contra o assédio em Paraitinga

Campanha pede que toda mulher que for à festa de carnaval na cidade do interior de São Paulo use objeto contra intimidações

Gerson Monteiro, Especial para o Estado

26 Janeiro 2016 | 03h00

TAUBATÉ - Quem tiver como destino neste carnaval a folia na cidade paulista de São Luiz do Paraitinga ouvirá, além do som das marchinhas, o barulho de apitos. Isso sempre que alguma mulher estiver sendo assediada. A campanha começou nas redes sociais, foi testada no festival de marchinhas e deverá tomar conta do centro histórico no próximo mês.

A iniciativa é liderada pela cantora Lia Marques, do Grupo Paranga, depois de ouvir pela janela de casa um grupo de jovens intimidando uma garota que andava sozinha pelo centro histórico no primeiro dia do festival de marchinhas. “Eles diziam ‘você não tem medo de ir embora sozinha?’. Não consegui ver o rosto deles, mas fiquei indignada pela intimidação.”

O relato de Lia foi parar nas redes sociais e motivou diversos comentários de pessoas revoltadas, além de compartilhamentos, o que incentivou a jovem a criar a campanha, ao lado de duas amigas. A sistemática é simples: sugere-se que toda mulher que for a São Luiz do Paraitinga no carnaval leve um apito e, se sofrer algum tipo de assédio, deverá apitar para chamar a atenção das pessoas para a intimidação. O “apitaço” poderá ajudar na segurança dos foliões, graças ao apoio da Polícia Militar.

No último fim de semana, a cidade fez a final do festival de marchinhas. “Tivemos relatos de meninas que estavam em situação de assédio, apitaram, mas nem precisaram esperar as meninas em volta chegarem... O cara já fugiu”, comemora a líder do movimento.

De acordo com o grupo, comerciantes da cidade também gostaram do projeto e estão doando dinheiro para a compra de apitos, que conta também com uma arrecadação de dinheiro pela internet para a compra das peças. A expectativa é de que pelo menos 80 mil apitos sejam distribuídos nos cinco dias de folia. A cidade chega a contabilizar mais de 180 mil pessoas neste período, número que deve se repetir neste ano.

E quem frequenta a folia na cidade também aprovou a ideia. “A cultura machista faz com que meninos e homens tenham de ser insistentes e inconvenientes em suas cantadas”, observa a filósofa Cristiane Cobra, que há 15 anos curte as marchinhas em São Luiz do Paraitinga. “Passar o carnaval aqui e não ser assediada é quase impossível”, reclama a médica luizense Glenda Oliveira.

 

Hashtag. “Quem sabe a ideia vá para o carnaval de outras cidades e consigamos acabar com esse machismo e curtir o carnaval numa boa”, diz Lia Marques. O grupo “Apito Contra o Assédio” pretende reunir relatos de assédio no carnaval com a hashtag #ApitoContraOAssedio.

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