Andre Lessa/AE–8/9/2011
Andre Lessa/AE–8/9/2011

Apesar do verde, USP lidera ranking de poluição

Qualidade do ar na Cidade Universitária ficou inadequada 9 vezes em agosto e setembro; no ano passado, Ibirapuera tinha o pior índice da capital

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2011 | 00h00

A qualidade do ar na Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste, ficou inadequada por nove dias, entre 1.º de agosto e 9 de setembro, dia com qualidade classificada como má pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Com isso, a Cidade Universitária tomou o posto que foi do Ibirapuera como local mais poluído da capital.

Nesses dias, os que frequentam o câmpus e, em especial, os esportistas, costumam ter sintomas como tosse, irritação nos olhos e na garganta e coriza. Em 2010, o Ibirapuera teve dez dias inadequados e quatro com má qualidade. O principal responsável por essa situação nas duas estações foi o ozônio, segundo medição da Cetesb.

Essa flutuação da pior qualidade do ar do Ibirapuera para a USP ocorre por causa do deslocamento da massa de ar, que tem ozônio, e das condições atmosféricas. "É normal esse deslocamento do vento de um lado para o outro", explicou a gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb, Maria Helena Martins.

O ozônio se forma na atmosfera a partir de gases emitidos pelos veículos em contato com a luz solar. "Só que, quando esses carros estão muito próximos das vias, o ozônio é destruído. Quanto mais longe das vias, maior a concentração de ozônio, o que ocorre nas estações de parques."

Árvores. Isso não quer dizer que os parques sejam vilões. Isso porque outros poluentes, como monóxido de carbono e enxofre, circulam em menor quantidade nesses locais. "Então, é melhor correr no Ibirapuera ou em uma avenida como Pacaembu? É melhor no Ibirapuera", diz Maria Helena.

Outro equívoco é acreditar que as árvores garantem ar limpo, de acordo com Fernando Dutra, coordenador da Faculdade de Química da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul). "A retirada desses poluentes pelas árvores não é uma verdade. Mas, se a cidade tivesse mais árvores, ocorreria uma transpiração natural que ajuda a aumentar a umidade e, consequentemente, melhoraria a qualidade do ar."

2 PERGUNTAS PARA...

Ubiratan de Paula Santos, médico-pneumologista

1.Quais os problemas para a saúde em praticar esportes nesses locais? Pessoas com asma, doenças pulmonares, enfisema, bronquite, doenças coronárias e diabetes não devem fazer atividades físicas em parques ou em vias com tráfego carregado, porque as doenças podem piorar. Para as demais, o que vão sentir é desconforto.

2. Quais são esses desconfortos? Tosse, dor de garganta e irritação nasal e redução do desempenho da atividade física. A longo prazo não sabemos o que pode acontecer com adultos. Mas com crianças já se sabe. Estudos na Suécia, Suíça e Califórnia mostraram que as que têm contato com ozônio várias vezes por semana têm mais facilidade de se tornarem alérgicas.

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