Apesar do verde, USP lidera ranking de poluição

Qualidade do ar na Cidade Universitária ficou inadequada 9 vezes em agosto e setembro

Marici Capitelli, de O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2011 | 22h03

A qualidade do ar na Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste, ficou inadequada por nove dias, entre 1.º de agosto e 9 de setembro, dia com qualidade classificada como má pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Com isso, a Cidade Universitária tomou o posto que foi do Ibirapuera como local mais poluído da capital.

Nesses dias, os que frequentam o câmpus e, em especial, os esportistas, costumam ter sintomas como tosse, irritação nos olhos e na garganta e coriza. Em 2010, o Ibirapuera teve dez dias inadequados e quatro com má qualidade. O principal responsável por essa situação nas duas estações foi o ozônio, segundo medição da Cetesb.

Essa flutuação da pior qualidade do ar do Ibirapuera para a USP ocorre por causa do deslocamento da massa de ar, que tem ozônio, e das condições atmosféricas. "É normal esse deslocamento do vento de um lado para o outro", explicou a gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb, Maria Helena Martins.

O ozônio se forma na atmosfera a partir de gases emitidos pelos veículos em contato com a luz solar. "Só que, quando esses carros estão muito próximos das vias, o ozônio é destruído. Quanto mais longe das vias, maior a concentração de ozônio, o que ocorre nas estações de parques."

Árvores. Isso não quer dizer que os parques sejam vilões. Isso porque outros poluentes, como monóxido de carbono e enxofre, circulam em menor quantidade nesses locais. "Então, é melhor correr no Ibirapuera ou em uma avenida como Pacaembu? É melhor no Ibirapuera", diz Maria Helena.

Outro equívoco é acreditar que as árvores garantem ar limpo, de acordo com Fernando Dutra, coordenador da Faculdade de Química da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul). "A retirada desses poluentes pelas árvores não é uma verdade. Mas, se a cidade tivesse mais árvores, ocorreria uma transpiração natural que ajuda a aumentar a umidade e, consequentemente, melhoraria a qualidade do ar."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.