Apesar do custo, alguns edifícios dão espaço a artistas

Em praça no Paraíso, prédio entra com a parede e as tintas e o artista plástico Kobra, com seu trabalho

O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2013 | 02h04

Mesmo com os preços significativos do aluguel das empenas cegas, há síndicos e moradores que fazem questão de ter uma obra de arte no prédio. É o caso, por exemplo, do edifício Ragi Buainain, que fica na Praça Oswaldo Cruz, no Paraíso, e cuja empena fica de frente para a Casa das Rosas, na Avenida Paulista.

A subsíndica Isilda Freitas, de 58 anos, entrou em contato com o artista Eduardo Kobra e ofereceu o espaço a ele. Kobra conta que já procurava por um local para uma nova obra e o encontro rendeu bons frutos. O prédio entra com a parede e as tintas e o artista, com seu trabalho. "A cidade merece coisa melhor que uma parede branca", diz Isilda.

Há alguns anos, um artista italiano já havia feito um trabalho por lá, mas a pintura ficou desgastada e teve de ser apagada. "O prédio leva a fama e, depois que o mural fica pronto, todo mundo curte muito", completa a subsíndica.

Kobra conta que nunca lhe cobraram aluguel para fazer um trabalho, mas que a prática é comum em São Paulo. "Se o artista não tem patrocínio, ou grana, mas tem a arte dele, acho que vale a pena ceder o espaço. Mas todas as formas de negociação são válidas", diz.

Para ele, a ocupação das empenas cegas é um novo momento para arte de rua paulistana. "É uma oportunidade única e acho que a cidade tem muito espaço para muita gente", afirma. "É algo que eu tenho certeza que vai ganhar uma repercussão internacional." Kobra começa a pintar o novo mural hoje e o trabalho poderá ser visto nas próximas semanas. / J.D.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.