Apesar de referendo, Acre não muda o fuso horário

Nas eleições, 56,8% da população optou por voltar a horário duas horas atrás de Brasília. Medida não foi adotada

Nayanne Santana, O Estado de S.Paulo

10 Março 2011 | 00h00

Os acreanos não sabem ao certo qual fuso horário será adotado pelo Estado. Um referendo realizado em outubro do ano passado apontou que 56,8% da população prefere atrasar os relógios em uma hora e, assim, ficar a duas horas de diferença de Brasília. No entanto, até agora os relógios não foram acertados, pois a Câmara Federal concluiu que a consulta popular não foi válida.

A confusão começou em 2008, quando o então senador Tião Viana (PT), hoje governador do Estado, apresentou uma lei que alterava o horário do Acre e de parte do Amazonas e do Pará, em vigor desde 1913. O texto foi aprovado e os acreanos tiveram de adiantar os relógios em uma hora, ficando com uma hora de diferença de Brasília.

A mudança, no entanto, não foi bem aceita pelos acreanos, e a Câmara decidiu pelo referendo. Passados quase cinco meses da consulta popular, a Câmara concluiu que o referendo não foi válido porque os moradores de parte do Amazonas e Pará, onde a lei de 2008 também vigora, não foram consultados.

O impasse incomoda os acreanos. Na opinião do professor Evandro Ferreira, o fato de não ser respeitada a vontade do povo é um desrespeito à Constituição. "É um golpe contra a democracia. Está na Constituição que a população poderá, por meio de voto, decidir. Isso não pode virar uma barganha política. Nós votamos e queremos resultado", afirma. Desde que a lei de Tião Vianna entrou em vigor, Ferreira usa seu blog para divulgar artigos e matérias nas quais questiona a alteração do fuso horário.

E agora, no Estado a história virou motivo de piada. Na época da campanha do referendo, alguns afirmavam que "a hora de Deus" seria a do fuso estabelecido em 1913 e a hora modificada em 2008 seria "a hora do Tião".

"Esse é o fuso mais confuso que já vi na vida. Agora vivemos numa hora incerta aguardando a decisão dos políticos", diz a aposentada Maria Justa.

Embora haja muita expectativa, o impasse sobre a hora definitiva do Acre deve se estender por pelo menos mais 30 dias, quando o Senado deverá votar um projeto de lei que ratifica o resultado do referendo, restabelecendo o fuso horário de 1913. O texto está em elaboração na Comissão de Constituição e Justiça.

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