Apesar de obras, moradores ainda temem enchentes

Apesar de obras, moradores ainda temem enchentes

Dique construído em 2011 será reforçado por um minipiscinão, a ser construído em parceria com o governo estadual

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2014 | 00h45

SÃO PAULO - O alagamento nas ruas do Jardim Romano, Vila Aimoré e Vila Itaim, na zona leste, é uma preocupação constante dos moradores. “As chuvas diminuíram, isso é uma realidade. O Jardim Romano não alaga mais por causa do piscinão que fizeram lá, mas tenho certeza de que vai ter alagamento na Vila Itaim”, diz o líder comunitário Euclides Mendes, de 43 anos.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (Siurb) já realiza obras na região e tem projetos em andamento para evitar novas inundações. “A Siurb está executando a canalização do córrego que fica ao longo da Rua Manoel Barbosa dos Reis, em uma extensão de 290 metros”, informa a pasta, em nota. O trecho fica entre as Ruas Bernardo Chaves Cabral e Valentim Lopes, na Vila Itaim. As obras incluem implementação de guias, sarjetas e bocas de lobo, além da pavimentação da via.

De acordo com a Prefeitura, o serviço começou em julho e será concluído neste ano. O investimento é de R$ 3,2 milhões.

Parceria. A gestão Fernando Haddad (PT) informou também que firmou um convênio com o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) para construir um minipiscinão, denominado pôlder, também na região, para evitar alagamentos.

O minipiscinão terá os mesmos moldes do que foi construído em 2011 no Jardim Romano. Na área, o dique tem 1.600 metros e um sistema de escoamento que evita que a água do Rio Tietê atinja os moradores. 

O valor do contrato emergencial, na época, superou R$ 70 milhões. O reservatório tem um sistema de bombeamento de água que é ativado tanto quando o nível do rio está acima do registrado no reservatório quanto na situação inversa. A água é conduzida por canaletas.

Moradores confirmam que a região parou de inundar após a obra do dique. “Depois que fizeram o piscinão, parou de alagar, mas eu sempre tenho medo quando chove”, diz a dona de casa Iraci Nunes, de 42 anos.

De acordo com a Prefeitura, o pôlder a ser construído na Vila Itaim deve custar R$ 61,9 milhões e terá recursos da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa).

A comerciante Gilzete Lima da Silva, de 38 anos, é moradora da Vila Itaim e já sofreu com alagamentos no local. “Na época de chuva, nós andamos com água no joelho, a rua ficava toda alagada. O freezer do meu comércio queimou e, em 2011, tive de dormir fora de casa”, conta.

Para evitar a invasão de água em sua casa, ela instalou uma comporta de madeira vedada com silicone. “Aqui, no bar, a água ainda entra quando tudo está alagado, mas não deixo entrar na minha casa.”

Edital. Ainda segundo a Prefeitura, a Siurb vai publicar um edital com o objetivo de contratar um projeto para canalização do Córrego Itaim, “que abrange o plano de controle de cheias das bacias dos Córregos Água Vermelha, Ribeirão Lajeado, Tijuco Preto e Itaim”. O valor do projeto é estimado em R$ 7,7 milhões. A data de publicação do edital não foi informada.

“É um sofrimento muito grande. O pessoal perde tudo (quando chove), porque o Córrego Itaim tem muita força. Sem falar nas doenças que ele traz para a comunidade”, diz o líder comunitário Anderson Migri da Cunha, de 39 anos.

A gestão municipal informou que o grupo de trabalho do Plano Preventivo Chuvas de Verão - 2014/2015 deve ser apresentado no próximo mês. 

Tudo o que sabemos sobre:
São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.