'Apenas se a chave entrar, você vive', disse policial a ex-detento

Sidney Francisco Sales relembrou episódio; hoje ele cuida de 120 em um centro de recuperação de jovens

O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2012 | 03h04

Entre aqueles que testemunharam o episódio, Sidney Francisco Sales, de 45 anos, participou na sexta-feira dos atos organizados pela Rede 2 de Outubro e Mães de Maio para relembrar o episódio. Conforme ele narrou, no dia do massacre estava jogando bola quando soube da briga envolvendo integrantes de gangues rivais.

Estava em sua cela, 504-E, quando soube da invasão, se ajoelhou e rezou o Salmo 91. Os guardas pediram que ele saísse, o que fez pulando corpos no chão. Ajudou a carregar os cadáveres até o momento em que carregou um jovem que, assim como ele, pouco antes, fazia a mesma função. Sales subiu para o 5.º andar e encontrou três guardas com um molho de chave. "Se a chave entrar, você vive. Se não entrar, será executado", conta. A sorte de Sales garantiu sua vida. Hoje ele cuida de 120 pessoas em um centro de recuperação de jovens com problemas com drogas.

Indenizações. Dos 64 processos de indenização aos familiares das vítimas do massacre do Carandiru, apenas 26 receberam ordem de pagamento. As indenizações só começaram a sair no ano passado. A defensora pública Amanda Pontes de Siqueira, que representa os familiares das vítimas, explica que todos os processos estão em fase de execução. "Alguns foram pagos, mas a maioria ainda está na fila dos precatórios, e atrasada."

É a situação da dona de casa Alessandra da Silva, de 39 anos, que ainda não recebeu o valor determinado pela Justiça. O marido, Juarez dos Santos, foi um dos detentos mortos. À época, o filho do casal, Julio, tinha apenas 3 anos. O jovem, que hoje teria 23 anos, foi assassinado em um assalto em maio do ano passado, em Taboão da Serra, região onde Alessandra ainda mora. "Se a indenização tivesse saído, tudo poderia ter sido diferente. Eu teria conseguido comprar minha casa em outro lugar que não fosse tão perigoso." / B.P.M, LUIZA VIEIRA e MARCIO DOLZAN, ESPECIAIS PARA O ESTADO

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