Apartamentos serão mais compactos

Para compensar as minicasas, o paulistano vai frequentar (e exigir) mais espaços públicos

O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2014 | 23h50

Mega-apartamentos serão cada vez mais raros. Com o custo cada vez mais elevado do solo em regiões mais bem estruturadas da cidade - o metro quadrado mais caro, na Vila Nova Conceição, na zona sul, custa hoje R$ 13,6 mil -, a tendência é que as pessoas dividam mais. "O mercado imobiliário já está indo para esse caminho, com unidades supercompactas", contextualiza o arquiteto Lourenço Gimenes, do escritório FGMF. Como em construção civil as mudanças levam tempo, essa transformação estará em andamento na próxima década, para se consolidar em 2034.

"As pessoas querem morar perto do trabalho, da diversão, da cultura, da educação, dos amigos", diz Gimenes. "Do ponto de vista do custo, cada vez mais perceberemos que precisamos ‘dividir a conta’ com mais gente." Para compensar as minicasas, o paulistano vai frequentar (e exigir) mais espaços públicos. A residência será para dormir e guardar os poucos pertences. "Para morar na cidade do futuro, vamos mudar os parâmetros do que é espaço de viver", completa o arquiteto Rodrigo Ferraz, também do FGMF.

"Os espraiamentos nas periferias, supernocivos para o custo da cidade e do ponto de vista social, infelizmente seguirão acontecendo, em paralelo", afirma Ferraz. No entanto, metas do governo apontam que, no futuro, haverá uma diminuição no número de moradias precárias. O Plano Municipal da Habitação prevê que, até 2024, os cerca de 3 mil assentamentos precários da cidade já estejam eliminados.

Para Rovena Negreiros, diretora de Planejamento da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), as melhorias serão feitas pela própria população, na medida em que ela for aumentando sua renda. "Em qualquer assentamento onde vive a população de baixa renda, os próprios moradores melhoram sua habitação. Boa parte do déficit habitacional em São Paulo é pela precariedade da habitação, não pela falta de unidades. Se essa população continuar empregada, terá condição de melhorar sua moradia. E cabe à Prefeitura regularizar urbanisticamente esse bairro."

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