Apartamento 'estilo Tóquio' chega a SP com 19 m²

Comum no Japão e tendência em Nova York, unidades micro ganham agora mercado da capital; apesar de pequeno, residencial vai custar R$ 266 mil

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2013 | 02h01

O produtor de eventos Renato Ferraz vive hoje no menor apartamento já construído em São Paulo, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Ele ocupa uma unidade de 21 m² em um prédio da Rua Bela Cintra, região da Avenida Paulista. Mas o imóvel onde Renato mora vai perder o posto de mais enxuto. Em 2016, a capital terá modelos de 19 m², no melhor estilo japonês.

Com consultoria do canadense Graham Hill, que é considerado o guru do conceito "life edited", o apartamento faz parte de um projeto da Vitacom Construtora, com lançamento programado para os próximos dias. O prédio será erguido na Vila Olímpia, zona sul, e terá unidades de até 52 m². Mas a baixa metragem não quer dizer baixo custo. O imóvel de 19 m² tem preço estimado em R$ 266 mil.

Ali perto, no Morumbi, um apartamento só poderia comportar até 64 unidades de 19 m² . É a maior unidade padrão já construída na cidade, segundo o mesmo levantamento da Embraesp. São 1.223 m² de espaço, com 12 vagas de garagem, biblioteca, academia, dois quartos de empregada e uma suíte principal com 230 m². E, para quem acha que é pouco, no mesmo prédio, um proprietário adaptou a planta e alcançou 1.975 m².

Na cidade dos contrastes, o mercado imobiliário se adapta. Depois do boom dos imóveis com sacada gourmet, a tendência agora é erguer microapartamentos. Segundo o Secovi, sindicato da habitação, o número de unidades de um dormitório vendidas no primeiro semestre deste ano cresceu 330%: foram 964 unidades de janeiro a junho de 2012, contra 4.147 neste ano.

Esses imóveis têm em comum a boa localização, perto de corredores de ônibus e metrô. A intenção é atender a um público jovem, que fica pouco tempo em casa e que não necessariamente usa o carro.

"O estilo de vida mudou muito. Todos querem praticidade no dia a dia. Ninguém tem tempo mais para cuidar da casa ou dinheiro para pagar empregada. As pessoas também não acumulam tantas coisas, armazenam tudo de forma digital e assim aproveitam melhor os espaços", diz o presidente da Vitacom Construtora, Alexandre Frankel, responsável pelo empreendimento. Antes mesmo de seu lançamento, a lista de interessados passa de 200.

Para quem vive em locais compactos, organização é a palavra-chave. "Com o tempo, a gente se acostuma e acha até melhor ter pouco espaço. Mas não vejo como tirar mais 2 m² do meu apartamento", diz o analista de sistemas Lucas dos Santos, que vive com Renato nos 21 m² da Bela Cintra.

Integração. O VN Quatá, com imóveis a partir de 19 m², ainda terá um café aberto ao público no térreo, para promover integração com o espaço público. O prédio não terá muros nem grades. "As pessoas querem viver a cidade. Buscam mobilidade. Nossa ideia é colaborar com essa busca", diz Frankel.

Para Luiz Antonio Pompéia, diretor da Embraesp, a gama de opções de São Paulo reflete os contrastes da cidade. "E também quanto as pessoas estão dispostas a pagar para viver por aqui." O metro quadrado do VN Quatá custará pelo menos R$ 14 mil - valor que não difere muito do praticado em projetos de alto padrão, como o apartamento de 1.223 m². Lá, uma unidade vale mais de R$ 20 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.