Tiago Queiroz/Estadão
Minhocão completa 50 anos de inauguração Tiago Queiroz/Estadão

Aos 50 anos, Minhocão vive contrastes em meio à desigualdade social e revalorização do entorno

Viaduto no centro de São Paulo é alvo de críticas desde a inauguração; elevado tem projeto para virar parque em meio à valorização imobiliária

Priscila Mengue e Tiago Queiroz, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2021 | 05h00

O Elevado Presidente João Goulart parece fatiar a região central de São Paulo em duas realidades distintas. Uma, suspensa, é a dos corredores amadores, do jogo de futebol improvisado por crianças no meio da rua, dos grupos de amigos sentados no meio fio e das selfies em frente a murais gigantes. A outra, na altura do solo, é dos comerciantes e moradores em situação de rua que vivem debaixo de uma sombra constante e de fuligem. 

Essa dimensão ganha ainda mais camadas ao se analisar o entorno, que passa por uma fase de revalorização imobiliária em meio à presença de uma parcela dos moradores que testemunharam décadas de transformação. O novo e o velho contrastam na paisagem do Minhocão, que completa 50 anos de inauguração neste domingo, 24.

O viaduto foi entregue como um presente de aniversário a São Paulo, embora já fosse alvo de críticas na época. Cinco anos depois, sofreu a primeira restrição ao tráfego (na madrugada), com o objetivo de reduzir o incômodo dos moradores próximos. Depois de 1989, com o fechamento aos domingos, passou a ter uma ocupação urbana espontânea, virando quase um calçadão.

No entorno, a construção trouxe desvalorização aos imóveis, assim como o aumento na poluição sonora e do ar, especialmente nos pavimentos mais baixos. Esse movimento, contudo, tem sofrido uma inversão nos últimos anos. Desde 2018, por exemplo, foram iniciadas ou entregues obras de ao menos sete edifícios com as janelas voltadas para o elevado, além de outros tantos nas quadras próximas.

O cenário é um tanto diferente do que viu a aposentada Elisa D’Alessio, de 80 anos, quando se mudou para a região, em 1964, onde reside até hoje. Nos primeiros anos, da janela, enxergava o trânsito de aviões no Campo de Marte, o circo do palhaço Piolin, na Marginal do Tietê, e diversos casarões. A vista mudou com a inauguração do elevado e a construção de outros tantos edifícios no centro expandido.

"Lembro com saudade do bonde que passava bem em frente ao prédio. Eu o pegava todos os dias para ir até o meu trabalho”, recorda. O transporte pelos trilhos deu lugar ao elevado, mas isso não chegou a incomodá-la, mesmo estando na janela. "Encarei com naturalidade. É o progresso. Hoje incomoda, amanhã vai melhorar.”

Morador das proximidades há 38 dos seus 58 anos, o escritor e professor de ioga Gil Veloso, lembra que não estranhou a presença do grande viaduto quando se mudou para São Paulo. “Naquela época, falava-se bem menos. Ele sempre foi alguém com quem me deparei na cidade, como se depara com a desigualdade social. Por ser do interior, tinha uma ideia que São Paulo era isso, não tinha nem árvore”, recorda. 

Gil é um dos realizadores de uma caminhada artística anual chamada Grande Minhocão: Veredas, que mistura referências literárias, musicais, arquitetônicas e de outras áreas. Além disso, inspirou-se no espaço para escrever o livro  de poesia juvenil Um Viaduto Chamado Minhocão, com ilustrações de Paulo Von Poser. "Para muitos, sou estorvo/Para outros, solução”, resume em um dos poemas.

Para Gil, o espaço parece “as entranhas da cidade que ficaram expostas”, mostrando contradições e desigualdades. “Lá já vi apresentações musicais, de teatro, participei de mercado de pulgas, inclusive como vendedor. Já fui até assaltado, roubaram a minha bicicleta 20 anos atrás. Convido pessoas, levo lá, algumas pela primeira vez”, descreve. “Simpatizo com o Minhocão e não simpatizo ao mesmo tempo. Preferia que não existisse, mas aí é outra questão.”

O produtor cultural e diretor de teatro Iarlei Rangel, de 44 anos, também percebeu grandes mudanças ao longo dos 15 anos em que vive em um apartamento defronte ao elevado. “Vim morar aqui porque era mais barato e perto do centro. Os preços aumentaram muito nos últimos 8 anos. Por sorte, a gente conseguiu financiar a compra. Senão, provavelmente teria sido expulso dessa região, como outros foram.”

Nos primeiros anos em São Paulo, Rangel mais observava o elevado. A relação se estreitou quando participou da fundação do grupo teatral Esparrama, que passou a ensaiar em seu apartamento. “Os palhaços iam pegar ar no intervalo e, só de aparecer na janela, já reuniam uma galera curiosa”, recorda.

Por isso, decidiu aprofundar-se em reflexões sobre o Minhocão, trabalho que deu origem a três peças teatrais infanto-juvenis, apresentadas diretamente do janelão para um público médio de 300 pessoas, todas dispostas no asfalto. “Quando a gente abriu a janela, foi uma loucura. A gente fala que foi como se a cidade invadisse a nossa casa de forma bastante presente.”

Hoje, com a pandemia, as apresentações estão suspensas e ele frequenta o espaço apenas para se exercitar quando possível. Quando as restrições da quarentena não permitem o fluxo de pessoas, diz que a “inutilidade” da estrutura fica ainda mais evidente. “Se não tem pessoas usando, é só um monstro de concreto que pode ser substituído por diversas coisas.”

Elevado expõe desigualdades sociais de São Paulo

Como em outras tantas ocasiões, a parte superior do elevado ficou alagada por causa da chuva na última semana. Essa mesma água que dificultava o tráfego de veículos era recolhida por Edmilson Maximiano Bueno, de 24 anos, da "cachoeira" que escoava próxima de uma das pilastras. Com um balde e sabão em pó, ele lavava os próprios tênis e os da companheira, Renata Soares, de 38 anos.

Eles dividem uma barraca abaixo da marquise do viaduto, vizinhos de outro casal também em situação de rua, Edvaldo dos Santos, de 40 anos, e Samara Paula Oliveira Felix, de 30 anos, que é transgênero. Juntos, cuidam das cadelas Amora e Jade e do cão de guarda Spike. 

Para limpar os demais pertences, eles utilizam água disponibilizada por frentistas de um posto de gasolina. Já a higiene pessoal é feita no banheiro de uma adega a um quarteirão de distância e em uma estrutura para banhos disponibilizada pela prefeitura.

Sem trabalho fixo, eles vivem de pedir nos faróis, catar latinha e recicláveis - como outras centenas de pessoas na região. Doações de alimentos são, contudo, recebidas com desconfiança. "Um dia a Samara ganhou um lanche com um caco de vidro desse tamanho. Já ganhamos marmita com chumbinho, água com gosto de remédio, devia ser sonífero. Não é preconceito, é muita maldade", recorda Edvaldo. 

Quando falava com a reportagem, ele e Edmilson preparavam um macarrão com molho de tomate debaixo do elevado. Oito tijolos serviam de suporte para uma grelha, sobre a qual colocaram a panela de pressão. Para fazer fogo, desfizeram uma caixa de feira, álcool e - o segredo para fazer fogo tão rápido - espumas guardadas em uma fronha. 

"Vai trabalhar, vagabundo", gritou para o grupo um motorista que passava em direção à zona leste. "Isso aí é toda hora, a gente nem liga mais", comenta Edvaldo. A estratégia para continuar com as barracas é sempre ter alguém dentro ou por perto. "Se não tem ninguém, aí é abandono, jogam tudo no caminhão e levam embora", explica. Daí a importância de estabelecer pequenos núcleos, vistos ao longo de toda a extensão do Minhocão. 

Minhocão vive renovação, como novos edifícios e negócios

Enquanto a região tem uma população em situação de vulnerabilidade nas ruas e em cortiços, uma outra leva de moradores tem chegado, especialmente pela proximidade de serviços, a presença de comércios para um público jovem e de classe média e a revalorização do centro expandido.

Isso fica evidente nos lançamentos imobiliários. Grande parte faz referências no nome às localizações mais valorizadas do entorno (o bairro de Higienópolis e o distrito de Santa Cecília), mesmo estão em outros locais, e investe em propostas afinadas com esse público, como a previsão de pintar um mural gigante na lateral do edifício, a presença de bicicletários e a oferta de moradia compartilhada (coliving).

Há diferenças entre os imóveis, em valores e propostas arquitetônicas, mas a ideia de atender um público mais jovem é predominante. Diferentemente de lançamentos vizinhos, a incorporadora Magik JC, por exemplo, está focada em unidades do Minha Casa Minha Vida na região, voltadas a compradores com média de renda familiar de 3,5 salários mínimos. 

Dos 11 prédios que a empresa lançou no centro desde 2016, dois ficam voltados para o Minhocão, assinados por escritórios de arquitetura conhecidos, como o de Isay Weinfeld. As imagens de divulgação desses imóveis não escondem e até destacam a vizinhança do viaduto. 

“Tenho um orgulho enorme de estar fazendo prédios aqui. Esconder o que região tem seria um desrespeito cliente. Se faço um anúncio em que tiro o Minhocão, estou te enganando: ele faz parte da paisagem”, aponta o CEO, André Czitrom.

Ele cita a presença de edifícios simbólicos da cidade ao longo e nas proximidades do elevado, parte deles tombado como patrimônio histórico, e a necessidade de dialogar com esse entorno no projeto, com a manutenção de comércio no térreo e ausência de muros, no que chama de “revitalização com responsabilidade”. 

Dentre esses moradores mais recentes da região está o comediante Patrick Maia, de 35 anos, que se mudou há pouco menos de seis anos. A localização do elevado a menos de uma quadra foi um dos fatores que o fez duvidar da decisão, mas acabou se convencendo. Depois de um tempo, subiu no espaço pela primeira vez e, hoje, frequenta cerca de três vezes por semana para andar de bicicleta e passear com o cachorro.

Foi em um desses passeios que reparou em um predinho com as janelas de vidro a poucos metros da beirada do viaduto. “Tinha uma salinha toda de vidro, que dava para ver do elevado e que dá para ver o elevado de dentro. Não dá para ser mais São Paulo que isso”, relata ele, que alugou o espaço em 2018, onde inaugurou a casa de shows de stand up comedy Clube do Minhoca.

“Por ser perto do Minhocão, foi mais barato. Se fosse a duas quadras para cima, iria pagar pelo menos o dobro. E acho que não seria pitoresco igual a esse”, relata. “Isso me interessou muito: abrir um clube no lugar onde as pessoas mais desprezam em São Paulo. Acho que, em parte, o clube ajudou a pegar de volta partes da cidade que estão esquecidas. Hoje tenho motivos para morar no bairro que não tinha 5 anos atrás.”

Ele conta que outros espaços culturais e gastronômicos abriram na mesma quadra desde então, atraindo movimento à noite. “Meus amigos, meus colegas, tenho certeza que nunca frequentariam essa região se não fosse o Clube do Minhoca. Mas, hoje em dia, tenho alguns que perguntam se tem apartamentos alugando no meu prédio.”

Quando a apresentação é de um humorista mais conhecido, por vezes os pedestres que passam pelo elevado dão uma espiada pela janela. “Se alguém reconhece, já para e fica olhando pra dentro, as pessoas vão se aglomerando no parapeito porque está Fábio Porchat no palco”, exemplifica.

Além da presença no nome espaço, o Minhocão também é referência constante nas apresentações. “Tem piadas inevitáveis, e a gente faz muitas. Quando estou fazendo shows ali, falo que as pessoas estão caminhando, que ali todo mundo está correndo por vários motivos, alguns para manter a boa forma, outros para recuperar o celular. O importante é estar em movimento.”

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Prefeitura é contra plebiscito e mantém andamento de projeto de parque no Minhocão

Entrega de trecho inicial estava prevista para 2020; associações de moradores se dividem sobre futuro do Elevado Presidente João Goulart

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2021 | 05h00

Embora a Câmara tenha aprovado uma proposta de plebiscito sobre o futuro do Elevado Presidente João Goulart, que ficaria para 2022, a Prefeitura de São Paulo defende que a melhor alternativa é dar prosseguimento ao Projeto de Intervenção Urbana (PIU) Minhocão, o qual prevê a implantação de um parque no espaço. A entrega do trecho inicial estava prevista para 2020. 

“O destino do Elevado João Goulart vem sendo objeto de discussão desde os anos 70, quando foram iniciadas as rotinas de sua interdição ao tráfego veicular no período noturno”, justifica a gestão Bruno Covas (PSDB). Pelo Plano Diretor atual, que será revisto neste ano, deve-se realizar a gradual restrição do viaduto para o tráfego de veículos até a completa desativação, resultando na demolição ou transformação parcial ou total em parque.

De acordo com o Município, o PIU está na segunda fase, sendo a próxima a de apresentação da proposta consolidada e da minuta de peça jurídica de regulação. Um novo prazo para definição não foi informado. 

“A gestão defende que a melhor forma de aprofundar os estudos técnicos e de qualificar o debate com a população diretamente afetada, e também de toda a cidade, para ao fim definir a melhor solução para o Minhocão, é através da continuidade do PIU. Dessa forma, o plebiscito não aparenta ser o instrumento consultivo mais adequado para avançar sobre questões urbanas complexas como esta”, pontua a prefeitura. Em paralelo, a implantação de oito acessos verticais de pedestres passou por licitação e tem previsão de conclusão para o primeiro semestre deste ano. 

As duas principais associações que defendem a desativação do viaduto também são contrários ao plebiscito. Uma delas é o Desmonte Minhocão, que reivindica o fim do viaduto, com a desmontagem da estrutura atual.

“Ele é uma violação da privacidade, causador de poluição sonora e visual. Só traz problemas e gastos para a prefeitura”, argumenta Francisco Machado, um dos diretores do Desmonte Minhocão e presidente do Conseg Santa Cecília. 

Machado chama a construção de uma “praga” e garante que a desmontagem é viável e se pagaria com a venda das vigas. Cita como exemplo positivo o desmonte e a demolição do Viaduto da Perimetral, no Rio, e diz não confiar em uma zeladoria adequada no espaço caso fosse transformado em parque. “Se não cuidam do que já tem. Por que gastar milhões para fazer um botox em um cadáver?”

Já Felipe Morozini, presidente da associação Parque Minhocão, defende que a prefeitura deveria aproveitar a redução do trânsito na pandemia para restringi-lo no local em um teste de um mês. “É só fechar o parque para carros, não precisa de muita coisa”, destaca ele, que reivindica também melhores condições de segurança, a instalação de mobiliário, como arquibancada, e a restrição de circulação nas vias abaixo do elevado para ônibus menos poluentes.

Para ele, o número de frequentadores tanto nas noites quanto nos fins de semana já evidenciam que a transformação em parque é a melhor alternativa. “A população ocupou de forma espontânea, como espaço de lazer e esporte. Os moradores precisam desse lugar, que já é o mais poluído, barulhento da cidade”, alega.

“Quero esse parque por inteiro. Não aceito um parque bonito em cima e embaixo do mesmo jeito. É preciso olhar para a população local. Foi ela que ressignificou o local. Os espaços numa cidade normal se ressignificam após uma requalificação, o Minhocão não teve nada.”

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Minhocão precisa de solução urgente, dizem urbanistas

Para especialistas, elevado nas condições atuais é um dos problemas urbanísticos mais graves de São Paulo e tem impacto em toda região central

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2021 | 05h00

A presença do Elevado Presidente João Goulart nas condições atuais é um dos problemas urbanísticos mais graves de São Paulo, segundo a avaliação de urbanistas ouvidos pelo Estadão. “O Minhocão é um assunto importantíssimo. Ele estragou um trecho muito grande, importante e estratégico da cidade, um trecho de centralidades de São Paulo”, diz Valter Caldana, professor de Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

“Ele estragou a qualidade de vida, ambiental, as atividades econômicas, interferiu no cotidiano de muita gente e da cidade como um todo. A cidade tem de resolver o que fazer com o Minhocão, é como se ele fosse um espinho na garganta, que fica ferindo, inflamando e comprometendo. É uma discussão urgente.”

Para ele, a melhor alternativa é a demolição, pois um parque não seria suficiente para resolver os maiores problemas, gerados pelo “tampão” criado sobre as avenidas que percorre. “Se hoje aquela região tem determinadas qualidades. Sem o Minhocão, essas qualidades poderiam ser muito maiores, muito mais aproveitadas e por mais gente. Se considerar a posição geográfica, poderia ter ali atividades econômicas mais sofisticadas e criativas, com criação de muito mais empregos.”

O urbanista acredita que o tema já foi amplamente discutido e que parte significativa dos atores envolvidos já está com posição definida. “As opiniões já se consolidaram, estão claríssimas. O que acontece é que, quando a discussão amadureceu, faltou agente público para tomar uma decisão com coragem política, porque qualquer decisão que se tome lá vai desagradar uma parte.”

Herança do malufismo como outras obras urbanísticas igualmente questionadas, como o fura fila e as marginais, o elevado nasceu já ultrapassado. “O rodoviarismo começou a ser fortemente questionado nos anos 70. E o Minhocão é fruto disso, de uma cidade com um emaranhado de estradas. É uma cicatriz que foi destruindo por onde passou”, comenta. “Enquanto outras metrópoles do mundo estão tentando e saindo desse modelo, São Paulo não consegue.”

Caldana teme que a revisão do Plano Diretor neste ano possa embaralhar a situação, fazendo “voltar a discussão à estaca zero”. Além disso, alerta que, se uma mudança não começar logo, o processo de revalorização do entorno pode enfraquecer. “Muita gente foi, está indo para lá e pretende ir para lá na expectativa de que vai ser dada uma solução definitiva para o Minhocão.”

Já o urbanista Guido Otero, que foi pesquisador do tema e é conselheiro da Comissão Executiva da Operação Urbana Centro, destaca que o principal ponto que o poder público precisa se ater é o atendimento à população mais vulnerável, que vive em condições extremas de insalubridade.

“O Minhocão é um abrigo gigantesco para pessoas que não têm teto. É uma região com forte presença de cortiços e pessoas em situação de rua, ao mesmo tempo em que se vê uma sede de novos lançamentos imobiliários. Parece quase uma região em disputa. Por um lado o empreendimento novo para um público jovem com poder aquisitivo. Por outro, pessoas que habitam o centro da cidade há 40 anos e em situação de vulnerabilidade.”

Além disso, ele critica o vaivém de projetos para o espaço que, em efetivo, teve o aumento de restrições de veículos como única medida mais abrangente. “É uma década de projetos se somando, um negando o outro. Precisa de estudos bem feitos, com o quanto custa, com prazos, o que vai beneficiar.”

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