Marcos de PaulaA/E
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Aos 100 anos, bondinho no Rio enfrenta desafio

Teleférico do Pão de Açúcar precisa modernizar seu sistema de venda de ingressos e reformar as instalações para atender o aumento de turistas

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2012 | 03h01

Ícone brasileiro reconhecido em todo o mundo, o bondinho do Pão de Açúcar, na zona sul do Rio, completa 100 anos no sábado. Com 40 milhões de visitantes e título de patrimônio da humanidade pela Unesco, o monumento inicia as comemorações de olho no período mais difícil de seu centenário - o calendário de grandes eventos da cidade e o incremento no fluxo de turistas dos próximos quatro anos.

A expectativa é de aumento anual de 10% no número de visitantes, o que representará, em 2016, mais de 2 milhões de pessoas. Após a Olimpíada, a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, que administra a concessão do sistema, projeta crescimento ainda maior e status semelhante ao dos mais visitados monumentos do mundo.

A comparação pelos números já equipara o bondinho ao conjunto arquitetônico de Alhambra, no sul da Espanha. Mas as semelhanças param por aí. Na Alhambra, é possível comprar bilhetes com antecedência, pela internet, com dia e hora previamente agendados. No bondinho, a bilhetagem e o acesso ao passeio são os principais gargalos enfrentados pelos turistas.

Um sistema semelhante ao espanhol deve ser inaugurado em dezembro, mas hoje apenas oito bilheterias atendem o fluxo de 4,5 mil visitantes por dia na alta estação, o que causa filas e queixas entre turistas e moradores do entorno. O fluxo, que se concentra no fim da manhã e da tarde, é de 80 viagens diárias, cada uma com 65 passageiros. Em 2016, o número de viagens do teleférico saltará para mais de 200, com 7,5 mil visitantes. O máximo que o sistema comporta são 13 mil pessoas.

"Ainda temos a capacidade teórica de crescimento em 30% do público. Digo teórica pois as pessoas não chegam distribuídas ao longo do dia. Vamos incentivar, com descontos, a vinda em horários ociosos, para a gente não estrangular o sistema", explica Maria Ercília Leite de Castro, presidente da Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar.

Prazos. Além da mudança no sistema operacional, o grupo planeja investir R$ 4 milhões em uma grande reforma das instalações - com teto solar nas estações, mudanças no auditório, pisos, lanchonetes e sanitários. Mas a empresa admite que não conseguirá realizar as reformas a tempo da Copa de 2014. Como o conjunto paisagístico do Pão de Açúcar é tombado, o projeto de reforma precisa passar por avaliação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que ainda não liberou as intervenções.

"Já perdemos o timing para a Copa. A gente vai fazer uma reforma de peso nas estações até a Olimpíada", afirma Maria Ercília. Hoje, apenas quatro lanchonetes atendem o público - três no Morro da Urca, a segunda estação, e uma no Pão de Açúcar.

Além da necessidade de modernização, o grupo também é criticado pelos preços dos serviços, principalmente pelos turistas brasileiros. Hoje, eles representam 70% dos visitantes e foram os responsáveis, nos últimos dez anos, pelo crescimento de mais de 270% na visitação ao monumento. Os ingressos para o passeio de teleférico custam R$ 53 e uma lata de refrigerante, R$ 7. Nas lojas de souvenir, uma sandália chega a R$ 150.

"Este é um dos maiores símbolos da cidade, algo que todo mundo quer conhecer, mas a gente não tem condição de pagar. Tudo é muito caro, voltado para o turista de fora", reclama a estudante carioca Ana Carolina da Silva, de 17 anos, que foi ao bondinho pela primeira vez na última semana em visita escolar.

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