Ao todo, derramamento de óleo provocou 14 acidentes na Régis

Ápice de congestionamento, às 11 horas, deixou via parada por 94 quilômetros, acumulados nos dois sentidos

José Maria Tomazela , O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2008 | 20h26

O óleo derramado sobre a pista por um caminhão-tanque causou uma seqüência de 14 acidentes e transformou em caos a rodovia Régis Bittencourt (BR-116), que liga São Paulo a Curitiba, na manhã desta sexta-feira, 30. Pelo menos 25 veículos se envolveram em colisões e tombamentos, mas não houve mortes e ninguém ficou ferido gravemente. O congestionamento atingiu 94 quilômetros, um recorde na rodovia que foi privatizada no início deste ano. Até o final da tarde, o tráfego não tinha voltado totalmente ao normal - havia 8 quilômetros lentidão na altura do km 351, em Miracatu, e 4 quilômetros de trânsito muito lento no km 369. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo que transportava óleo gorduroso de origem animal deixou cair o produto em um longo trecho da rodovia. Resíduos da substância foram encontrados na pista para São Paulo, desde o município de Registro, na altura do km 420, até as proximidades de Juquitiba, no km 230. Em contato com a água da chuva, o óleo se espalhou e tornou o asfalto altamente derrapante. Os maiores problemas ocorreram na subida da Serra do Cafezal, entre os km 368 e 360, onde a rodovia tem pista simples com mão dupla. As carretas patinavam no óleo e aconteciam colisões traseiras. Só nesse trecho ocorreram oito acidentes e quatro caminhões tombaram. As duas mãos de direção ficaram interditadas das 6h50 às 8h50 para a retirada dos veículos e limpeza do asfalto. Outros seis acidentes ocorreram até o km 410, entre eles uma colisão entre dois automóveis ocorreu no km 391, em Miracatu. Algumas colisões aconteceram porque os veículos não conseguiam frear ao toparem com o trânsito parado. No km 396, duas carretas procedentes de Santa Catarina rodaram na pista e tombaram. "Escapei por milagre", disse o motorista José Álvaro dos Reis, de 48 anos, que seguia para São Paulo com uma carga de parafusos. Ele contou que transitava pela pista da esquerda, quando um automóvel Uno entrou na sua frente. "Quando dei no freio, a carreta foi derrapando até tombar no canteiro central." Estilhaços dos vidros da cabine do Scania feriram a mão do motorista. Ele mostrou os pneus e a carroceria impregnados de óleo. Perto dele, tombou a carreta placas MDD-5340, de Orleans (SC). "Essa também rodou no sebo", disse o segurança Alan da Penha Rodrigues. Ele trabalha numa empresa que protege a carga dos saqueadores em caso de acidente. "Estamos com todo o pessoal na estrada." O congestionamento atingiu o auge às 11 horas. No sentido de Curitiba, a lentidão começava no km 302 e seguia até o 360. No sentido o posto, o trânsito estava praticamente parado do km 360 ao 396. Os motoristas, sem condições de seguir viagem, desceram dos veículos e criticaram as condições da estrada. "Vão instalar pedágio, mas ainda está cheia de buracos", reclamou o caminhoneiro Nicolau Pedro de Matos, de 52 anos. Ele seguia de Porto Alegre para Recife. "Privatizaram os buracos", brincou Norberto Elial Delfino, de 51 anos, também de Porto Alegre. O agricultor Ademir da Borba Bueno, de 28 anos, que levava uma carga de bananas, disse que já foi feito um tapa-buracos, mas faltou sinalizar a pista. Um grupo de Curitiba que havia lotado um ônibus para jogar em um bingo de Santo André reclamava do atraso na viagem. "Vamos perder duas horas de bingo", protestou a dona de casa Adair Pires. De acordo com o funcionário público Mário Fressato, o grupo viaja toda semana para um bingo em Santo André que funciona graças a uma liminar da justiça. "A gente ficaria 12 horas jogando sem parar, mas com a estrada assim..." A PRF informou, no início da noite, que algumas pistas podem levar ao veículo que espalhou o óleo.

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