Caio Faheina, especial para o Estado
Caio Faheina, especial para o Estado

Ao som de Raça Negra, foliões curtem o carnaval na Rua dos Pinheiros

Bloco Confraria do Pasmado comemora 15 anos de atividades carnavalescas em 2019

Caio Faheina, especial para o Estado,

24 de fevereiro de 2019 | 15h13

Ao som de Raça Negra, os foliões que decidiram colocar o bloco e os corpos na Rua dos Pinheiros neste domingo, 24, onde o bloco Confraria do Pasmado comemora 15 anos de atividades carnavalescas, cantaram em coro: “Me ajude a segurar essa barra que é gostar de você”. A coreografia era simples: mãos para cima, segurando uma suposta verga (ou seriam alguns sentimentos pesados?). Foi como se todos compartilhassem de amor mal resolvido e aproveitassem o Carnaval para aglutinar o individual no coletivo. Ou o contrário.

“O sofrimento tem de ser coletivo. A dor precisa ser compartilhada”, brincou o economista Leonardo Nunes, de 38 anos. Paulista, mas morando no Rio de Janeiro, Leonardo veio “só para o bloco”, mas tem a desculpa de visitar os pais. Ele segue o Confraria do Pasmado desde o início, há 15 anos, e trouxe a esposa Thaís Nunes, de 36 anos, para conhecer. “É minha primeira vez aqui e estou adorando, bem seguro e tranquilo”, resumiu a carioca, elogiando o pré-carnaval paulista quando comparado com o fluminense. “É importante destacar que o bloco está voltando às origens. Ele cresceu muito por um tempo, mas, agora, está mais tranquilo. Pra quem acompanha, prefiro assim”, continuou o folião.

A folia liderada pelo Confraria, um dos principais blocos a colorir a zona oeste paulistana, teve início às 10h e deve seguir até as 17h. Até as 14h, o Corpo de Bombeiros contabilizou cerca de 5 mil brincantes. Somente neste fim de semana, quando foi dada a largada rumo ao calendário oficial do Carnaval, 210 blocos estavam programados para desfilar.  Ao todo, somando oito dias de folia, 516 blocos devem ir às ruas paulistanas.

Entre um intervalo e outro, o som da bateria dava protagonismo ao anúncio da campanha de conscientização contra assédio “Não é Não!”, com foco no respeito e na liberdade do público feminino. 

Nos bares que ficam às margens do trio, famílias acompanharam, sentadas ou não, a brincadeira de quem pulava logo mais à frente. “A gente que vem com criança, é melhor ficar por aqui”, resumiu Luma Romanini, de 28 anos, equanto a filha Olívia, de 1 ano e 5 meses, brincava no colo do primo de Luma, Rodrigo dos Anjos, de 39 anos. “Olívia já veio para o bloco na barriga”, lembrou a advogada, que acompanha a folia na região há dois anos. 

Banheiros

Problema relatado neste sábado, 23, pelo Estado parece se repetir neste domingo. Foliões reclamam da falta de banheiros químicos nas imediações do bloco. “Não vi um ainda. Os estabelecimentos privados é que sofrem”, afirmou a advogada Juliana Pasquini, de 36 anos. “Chegamos às 11h30 e, até agora, não achamos um banheiro sequer”, completou a amiga Aisha Carvalho, de 32. 

Das 1.400 cabines previstas para ontem, somente 1.100 foram espalhadas pelos polos carnavalescos da cidade. O Município informou reposição das 300 estruturas, além de outras 300 para compensar a redução no sábado. Ao todo, 1.700 cabines devem ser fornecidas.

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