Ao menos mais 2 fiscais estavam no esquema

É o que mostra a investigação realizada pelo Ministério Público Estadual; prefeito Haddad também falou em 'outros envolvidos'

Artur Rodrigues, Bruno Ribeiro e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2013 | 02h06

Pelo menos mais dois servidores aparecem na investigação do Ministério Público Estadual (MPE) como suspeitos de participar do esquema de propina na Secretaria Municipal de Finanças. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que a administração apura também a possibilidade de haver mais funcionários envolvidos no caso.

Nas investigações conduzidas pelo MPE e pela Controladoria-Geral do Município (CGM), há citação de um auditor fiscal suspeito de ser o criador do esquema que permitiu, segundo a investigação, o enriquecimento ilícito de fiscais mediante fraude no Imposto sobre Serviços (ISS). O nome do funcionário será omitido para não prejudicar as investigações.

O servidor foi transferido de setor por desavenças pessoais com outros servidores.

A gestão Gilberto Kassab (PSD) chegou a receber cartas delatando o esquema e o antigo corregedor da Prefeitura na gestão Kassab, Edilson Mougenot Bonfim, começou a investigar o caso. Porém, segundo ele, a denúncia era "fraca" na ocasião e não foi adiante.

Além do criador do esquema, outro funcionário da Secretaria Municipal de Finanças também faz acertos diretamente com as empresas. Essa pessoa operou separadamente do quarteto preso, mas também faria pagamentos ao ex-subsecretário de Arrecadação Ronilson Bezerra Rodrigues para poder "trabalhar" na cobrança de propina.

Na manhã de ontem, Haddad afirmou que a Controladoria-Geral do Município investiga se há mais funcionários envolvidos no esquema. "Há a possibilidade de mais pessoas envolvidas, lógico. Pode não estar restrito a esses quatro elementos (que foram presos anteontem). Eles podem dar detalhes que vão expandir a rede", disse o prefeito.

Antecessor. Haddad também fez críticas à gestão Kassab. "Não houve investigação no ano passado, houve um expediente muito superficial a partir de uma denúncia anônima."

De acordo com o atual prefeito, o Município não tinha mecanismos implementados pela Controladoria para monitorar o patrimônio dos funcionários. "Foi um inédito cruzamento de dados de todos os servidores, combinando aquilo que ele declara e o que ele de fato tem."

Haddad afirmou que a CGM deve ajudar a prevenir novos casos de corrupção. "Esse procedimento não era feito. A Prefeitura no passado teve quantos escândalos já? Só no ano passado foram dois, este é o segundo. No ano passado nós tivemos o caso (de Hussain) Aref, o caso Ronilson e quantos mais?"

Para exemplificar, o prefeito citou casos de servidores suspeitos de corrupção identificados neste ano. "Nas subprefeituras, já prendemos cinco fiscais, três dos quais estão demitidos. Tivemos na Secretaria do Verde uma prisão em flagrante", afirmou Haddad.

Kassab. A assessoria de Kassab informou que sua gestão "deu total autonomia à Corregedoria-Geral do Município, que, com base em denúncias anônimas, investigou e comunicou o MPE sobre irregularidades identificadas no Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov) e iniciou, como reconheceu a atual administração, a apuração de denúncia anônima contra um dos auditores concursados da Prefeitura".

O ex-prefeito alegou também ter implementado um programa para "simplificar e dar total transparência à fiscalização e à regularização de obras na cidade, ao lançar, em julho de 2012, o sistema eletrônico para emissão do Habite-se".

Mais conteúdo sobre:
Prefeitura fraude sp são paulo corrupção

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.