Ao encurralar o tráfico, Cabral aposta seu futuro

Na operação contra o tráfico no Complexo do Alemão, o governador Sérgio Cabral (PMDB) aposta seu futuro. Um fracasso, que ocorrerá se houver retomada dos incêndios contra veículos e explosão de violência, por exemplo, poderá jogá-lo na vala comum de governadores do Rio politicamente sepultados pela ação dos criminosos desde os anos 80. Um sucesso, contudo, tem potencial para transformá-lo em ator importante nas eleições de 2014 - e não só na política regional.

Análise: Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2010 | 00h00

Até agora, os fatos ajudaram o governador. Apoiado no secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, Cabral demonstrou firmeza na política de "nem um milímetro de recuo" que implementou a partir da onda de ataques de criminosos contra postos policiais e veículos. Para isso, surpreendeu o Comando Vermelho (CV) duplamente. Primeiro, com o ataque aos quartéis-generais da quadrilha em resposta aos atentados, quando poderia ter apenas contido os ataques. Depois, com o uso de blindados da Marinha para chegar ao coração dos territórios dominados por bandidos, espalhando o pânico entre os traficantes e invertendo o jogo.

A imagem de centenas de criminosos em fuga da Vila Cruzeiro, ao vivo pela TV, ajudou a desmoralizar o bando e deu a Cabral a primeira vitória no confronto antes protagonizado pelos marginais. Agora, a iniciativa é do Estado, que tomou as duas comunidades onde se refugiavam, segundo estimativas do setor de Inteligência da Polícia Civil, pelo menos 500 traficantes armados.

A questão é o que ocorre agora. Uma rearticulação dos bandidos, como a ocorrida após a invasão de três anos atrás, pode frustrar as ambições do governador. A possibilidade existe: até o início da noite de ontem, os principais chefes do CV na região não tinham sido presos. A tomada do Alemão para o Estado, porém, se confirmada com programas sociais e sua integração definitiva ao resto da cidade, pode significar para Cabral um lugar destacado nas discussões da sucessão da presidente que toma posse em 1.º de janeiro.

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