Anvisa e Ministério da Saúde apuram mortes após exame de ressonância

Três vítimas morreram tempos depois de serem submetidas ao mesmo procedimento, com uso de contraste; suspeita é de problema em produto utilizado

Ricardo Brandt, de O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2013 | 10h53

CAMPINAS - Técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, chegaram nesta quarta-feira, 30, à Campinas, no interior de São Paulo, para auxiliar nas investigações sobre as causas das mortes de três pacientes após realizarem exames de ressonância magnética na segunda-feira, 28, no hospital Vera Cruz.

 

A equipe está no Centro Radiológico do hospital junto com a equipe multidisciplinar formada pela Secretaria Municipal de Saúde para apurar o caso. As principais suspeitas são de que pode ter havido problemas nos produtos utilizados no contraste (composto químico usado no exame para melhorar a qualidade das imagens e do diagnóstico). Em razão dessa suspeita, as secretarias de Saúde do Estado e de Campinas interditaram os lotes de produtos utilizados nos exames de ressonância magnética das vitimas. São quatro marcas de soro e duas de gadolínio, usado no contraste.

 

As vítimas foram dois homens, de 36 e 39 anos, e uma mulher de 25 anos. Eles tiveram parada cardiorrespiratória. Nenhum apresentava problemas de saúde e todos fizeram ressonância magnética do crânio, segundo a direção do hospital. Dois passaram mal minutos depois do exame e um paciente chegou a deixar a unidade médica, mas retornou após sentir dores.

 

Nesta quarta, o Instituto Adolfo Lutz começa as análises dos artigos médicos hospitalares e outros produtos farmacêuticos utilizados nos procedimentos de ressonância magnética. O Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas informou que o serviço de ressonância do hospital vai ficar interditado até o fim da investigação.

 

A Secretaria de Saúde informou também que a partir desta sexta os exames de ressonância magnética e tomografia computadorizada na cidade de Campinas estão liberados, desde que não usem os produtos interditados. Nessa terça, 29, todo tipo de exame com uso de contraste havia sido suspenso. A diretora da vigilância de Campinas, Brigina Kemp, informou que possíveis falhas nos equipamentos estão praticamente descartadas.

 

Os produtos interditados são:

 

- Soro fisiológico 250 ml, fabricado por Eurofarma Laboratórios Ltda, lote 252731. Validade 08/2014;

- Soro fisiológico 500 ml, fabricado por Eurofarma Laboratórios Ltda, lote 249031. Validade 08/2014;

- Soro fisiológico 250 ml, fabricado por Eurofarma Laboratórios Ltda, lote 245825. Validade 07/2014;

- Soro fisiológico 10ml, laboratório Samtec. Lote: SOG Validade 02/2014;

- Soro fisiológico 10ml, laboratório Samtec. Lote: SSN Validade 05/2014;

- Soro fisiológico 10ml, laboratório Equiplex. Lote: 1230970 Validade 07/2014;

- Contraste Dotaren, laboratório Guebert. Lote: 12GD324C Validade 10/2015;

- Contraste Magnevistan, laboratório Bayer. Lote 11568D Validade 03/2015.

 

 

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