Antigo Hospital Matarazzo vai virar filial da PUC e centro comercial

Prédio abandonado há 17 anos foi vendido pela Previ à fundação mantenedora da universidade e a um fundo de investimentos

Daniel Gonzales / WWW.ESTADÃO.COM, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2010 | 00h00

À espera de reforma. Imóvel tem forros caindo, goteiras, fios expostos e outros problemas

 

O complexo de edifícios que abrigou até 1993 o Hospital Umberto Primo, também conhecido como Hospital Matarazzo, na região da Avenida Paulista, foi comprado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e um fundo de investimentos. Tombado em 1986 e abandonado há praticamente 17 anos, o conjunto hoje tem forros caindo, infiltrações, paredes descascadas e fiação exposta.

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A negociação foi conduzida pela Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), dona da área desde 1996, com a Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP, e o fundo, cujos nomes das empresas não foram divulgados. O conjunto ocupa um terreno de 27.419 m² no quadrilátero das Ruas Itapeva, São Carlos do Pinhal, Pamplona e Alameda Rio Claro. As conversas duraram cerca de seis meses, depois da abertura de uma licitação pela Previ. Também participou da concorrência um grupo francês que pretendia instalar um hotel no local.

A Previ não deu informações sobre o valor da venda. Tomando por base o preço do metro quadrado da região (R$ 3 mil a R$ 4 mil), um terreno com a mesma área estaria avaliado entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões, mas o fato de o local ser tombado pode alterar o valor.

Um terço da área abrigará um câmpus da PUC, onde serão desenvolvidas "atividades culturais" e possivelmente cursos universitários. O restante será explorado comercialmente pelo fundo, com a possibilidade de implementação de estabelecimentos comerciais e escritórios. O tombamento será mantido.

Preservação. A PUC-SP convocou uma reunião na próxima semana com as entidades de bairro, de ex-pacientes do hospital e ONGs interessadas na preservação do espaço. "O que fazemos questão é de que os prédios sejam preservados, como prevê a lei. Queremos a história preservada. E também exigiremos que pelo menos parte do complexo seja devolvido à comunidade como centro de saúde", diz Célia Marcondes, presidente da Sociedade de Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César (Samorcc). Um exemplo de conciliação entre o patrimônio e novos empreendimentos é a Casa das Rosas, na Paulista (leia abaixo).

O próprio tombamento foi um dos fatores que levaram à degradação do hospital. Ao mesmo tempo que determina a preservação das características originais dos imóveis, a legislação não define como será a manutenção deles ou as condições de uso.

Os vizinhos estão preocupados. "Não dá para transformar em universidade ou área comercial sem afetar o patrimônio tombado", afirma Juliane Ferreira, de 22 anos, estudante de Direito. "É uma pena (o conjunto) ficar parado. Está se destruindo sozinho. Com certeza, vão mexer na estrutura, mas quanto ela se deterioraria se continuasse parada?", diz Hilda Maria de Freitas, 42 anos, corretora de imóveis. O secretário de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Marcos Cintra, disse que a Prefeitura não foi comunicada sobre a venda. "Interessa à Prefeitura acompanhar o uso que será dado ao imóvel." / COLABORARAM DAMARIS GIULIANA, BRUNO PAES MANSO E FELIPE GRANDIN

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