Antigo dono alterou em cartório a área do lote

As primeiras informações em cartórios sobre a área onde a Prefeitura pretende fazer o Parque Alto da Boa Vista são do começo do século passado e demonstram uma série de incongruências. Em 1925, ao comprar o imóvel da família de Amaro da Cruz Quaresma, um homem chamado Mariano Caruso altera a descrição de sua área: de estimados 4 mil m² para mais de 48 mil m².

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2011 | 00h00

A retificação teria sido uma manobra que, como consequência, passou a abranger propriedade do Município, como mostra estudo encomendado pela Prefeitura. É nesse registro que se baseia a matrícula da Unidas.

A área descrita na matrícula retificada, até mesmo, não poderia ter os 48 mil m² declarados - mas somente 31 mil. Caruso ainda vendeu a propriedade três vezes para pessoas distintas, em 1930, 1931 e 1933. A Unidas só aparece nos registros em 1980.

O imóvel passa por mais três proprietários. Antes de voltar para a Unidas, ainda é questionado na Justiça, em 1985, pelo espólio de outra pessoa, que o adquiriu em 1930. Uma segunda sequência de vendas da mesma área se deu também na década de 1920.

Cartórios. A região onde está localizada o terreno pertenceu a cinco cartórios diferentes entre os anos de 1927 e 1939, o que facilitaria fraudes. "Tudo leva a crer que há grilagem. Há mudanças de cartórios e compradores de outros Estados", diz Jacy Cardia Ghirotti, da Associação dos Amigos do Bairro do Alto da Boa Vista. Para complicar ainda mais, Santo Amaro foi um município independente até 1935, quando foi incorporado por São Paulo. A confusão é tanta que a Prefeitura cobrou dívidas de IPTU da área - que considera ser sua.

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