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Antidepressivo e violência

Novo estudo divulgado na última semana acende um sinal de alerta para o uso de alguns tipos de antidepressivo por adolescentes e jovens. O trabalho aponta uma correlação entre esse tipo de medicamento e um maior risco de comportamentos violentos.

Jairo Bouer, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2015 | 03h00

Segundo os pesquisadores, jovens de 15 a 24 anos que tomam uma classe de antidepressivos conhecidos como inibidores específicos de recaptação de serotonina (o Prozac é o mais conhecido deles) têm quase 50% mais chance de se envolver com violência e criminalidade. Nas demais faixas etárias, essa associação não foi encontrada. 

A pesquisa, feita pela Universidade de Oxford, levantou, durante quatro anos, registros oficiais de saúde de quase 800 mil suecos que tomaram esses antidepressivos. O trabalho foi publicado no periódico PLOS Medicine e divulgado pelo jornal inglês Daily Mail.

Como essa classe de remédio já é associada a um maior risco de suicídio em jovens, os especialistas trabalham com a hipótese de que ela possa agir de maneira distinta nos cérebros em fase de desenvolvimento.

Embora a correlação entre o medicamento e a violência pareça ser verdadeira nesse grupo, é difícil comprovar uma relação direta de causa e efeito. Os maiores índices de violência nos adolescentes que tomam os antidepressivos podem ter a ver com o uso irregular do remédio (mais comum nessa faixa etária) e também com o fato de que os jovens medicados podem fazer parte de um grupo sujeito a alterações de comportamento.

A violência foi mais comuns nos jovens que receberam doses mais baixas. Para os especialistas, mais estudos são necessários e, eventualmente, as bulas (que já avisam sobre maior risco de suicídio) poderiam trazer advertências sobre agressividade e pensamentos violentos. Outro ponto importante mostra correlação entre o uso desses antidepressivos e o maior consumo de álcool, o que pode justificar a maior taxa de violência nesse grupo.

Álcool na universidade. Por falar em álcool, a Unesp anunciou que a partir do próximo ano deve monitorar quedas nas notas de seus quase 37 mil alunos como um possível indicador de abuso de álcool e de maior perfil de comportamentos de risco.

A ideia de um procedimento que sinalizaria eventuais riscos pode ser boa, mas há algumas limitações que devem ser levadas em consideração.

Muitos alunos, ainda mais aqueles que vivem longe de suas famílias, tendem a aumentar o consumo de álcool e a ter experiências com outras drogas na universidade. É uma fase em que limites e novas possibilidades são testados com frequência. Mas nem todos os que bebem e abusam do álcool vão ter queda no desempenho. Outra questão é que o álcool não é a única causa de notas e frequência mais baixas. Desinteresse pelo curso, depressão e ansiedade, entre outros fatores, podem explicar o baixo rendimento.

Talvez outro grande limite seja o que fazer com alunos em uma situação mais complicada. Será que as universidades conseguem garantir esse suporte? E mais: como será feita a abordagem? Talvez mais efetivo do que monitorar notas seria fazer um maior controle sobre o que acontece nas festas e uma abordagem preventiva ao longo do curso sobre álcool, drogas e violência. 

É PSIQUIATRA

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