José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Antes de reclamar, comerciante precisa receber boleto, diz Haddad sobre IPTU

Em entrevista à TV Estadão, prefeito de São Paulo rebateu críticas sobre o aumento da tarifa na capital paulista

Adriana Ferraz e Iuri Pitta, O Estado de S. Paulo

02 Dezembro 2014 | 15h57

Atualizada às 22h

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou nesta terça-feira, 2, em entrevista exclusiva à TV Estadão, que ainda é cedo para mensurar o impacto que o reajuste de até 29,4% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) dos imóveis não residenciais pode provocar nas contas dos comerciantes. Segundo o petista, não dá para reclamar do valor ou mesmo dizer que vai haver desemprego ou aumento da inflação sem que o boleto seja emitido.

Prestes a completar dois anos no comando da cidade, ele reconheceu que não tem maioria hoje na Câmara Municipal para aprovar seus projetos, disse que ainda não pensa em reeleição (apesar de não descartá-la), voltará a dar aulas e que só vai decidir sobre o aumento do ônibus na semana que vem, apesar de considerar boa a ideia de se implementar um valor único na Grande São Paulo. Confira abaixo trechos da entrevista:

O senhor teme provocar desemprego e inflação ao reajustar em até 29,4% o IPTU de comerciantes? 

Eu acho que a pessoa precisa receber o boleto primeiro, antes de mais nada, para saber do que estamos falando. Eu, por exemplo, nunca olhei para o valor do IPTU quando tinha loja na Rua 25 de Março, porque o valor era pequeno diante das outras despesas que eu tinha. O ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pago ao governo do Estado, por exemplo, é muito maior. Acho incrível como, depois de tanto debate democrático, estamos penalizando prefeitos que cumprem com as obrigações. Não vou fazer demagogia. Meu compromisso não pode ser de curto prazo, olhando para pesquisa, para indicador, mau humor. Tenho de estruturar a cidade para o futuro.

O senhor tem tido dificuldades para aprovar seus projetos na Câmara. Acredita que conseguirá aval para devolver dinheiro aos contribuintes que seriam isentos e para perdoar quem deveria ter pago mais neste ano?

Eu não tenho maioria na Câmara, como no passado outros prefeitos tiveram. Todos os projetos do Executivo, no meu caso, são negociados. Tenho basicamente o PT, o PMDB e o PTB como aliados. Eles não chegam a 28 votos e, por isso, preciso negociar todos os projetos na base do argumento. Mas não vejo por que um vereador fique contra essa remissão, mesmo da oposição.

Pensa em reajustar a tarifa do ônibus, mesmo com a ameaça de sofrer novos protestos?

Só vou falar desse assunto depois de receber o resultado da auditoria que contratei para avaliar o sistema. Dia 10 fica pronta. Mas acho que, depois das manifestações do ano passado, estamos em um clima diferente. Tanto é verdade que Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte aumentaram. Estamos em um ambiente de debate.

O que o senhor acha de se estabelecer uma tarifa única na região metropolitana? 

Seria bom termos uma tarifa única metropolitana, que deve ser capitaneada pelo Estado. 

Com qual valor? R$ 3,40?

Não discuto valores.

O senhor vai entregar 150 quilômetros de corredores de ônibus?

Temos 37 em execução e outros 60 quilômetros licitados, já com fonte de financiamento. Afirmo que os demais estarão em obras até junho. Mas é preciso dizer que também prometi 150 quilômetros de faixas exclusivas e já entreguei 358. As pessoas, às vezes, menosprezam a decisão política de segregar uma faixa para ônibus. Acham que basta uma lata de tinta para isso. É preciso uma lata de tinta, como dizem, mas vontade política de priorizar o transporte público. Querem diminuir a importância do gesto político. A oposição na Câmara, por exemplo, sempre diz isso. Por que não fez então?

Na semana passada, uma comissão de vereadores aprovou a desativação gradual do Minhocão. O senhor defende isso? Sairá do papel no seu governo?

Do ponto de vista urbanístico, ninguém duvida que o Minhocão tem de dar lugar a outra coisa, seja um parque seja a própria demolição. Mas sem uma alternativa viária, acho muito difícil conseguir operacionalizar isso. 

Recentemente, o senhor disse que falta policiamento na cracolândia, apesar de sempre ter dito que o problema ali era apenas social. O que mudou?

Os dependentes estão sendo cuidados pela Prefeitura - mais de 500 usuários passaram pelo programa De Braços Abertos. Mas, para abordar as pessoas que estão no fluxo (consumindo crack), é preciso segurança. De janeiro a agosto, isso operou bem. Depois, baixou o policiamento, que está sendo retomado agora. Foi justificado (pela polícia) que, pelo aumento de roubos e furtos na cidade, foi preciso mudar o efetivo de lugar. Não estou questionando essa decisão nem falando do pequeno traficante, que vende cinco pedras para consumir três. Estou falando de quem leva a chamada laje para lá, que é um tijolo de crack fracionado para ser vendido. Isso não tinha na cracolândia de janeiro a agosto. Foi quando nós baixamos a guarda que eles avançaram. É por isso que falei que a polícia tem de estar lá, para que o agente de saúde possa abordar o usuário. 

O senhor está prestes a completar dois anos no comando da cidade. Vai tentar a reeleição?

Nem pensei nisso ainda. Ao contrário dos políticos que com 21 anos já eram candidatos a alguma coisa, fui ser candidato com quase 50 anos e a convite (do ex-presidente Lula). Achei desafiador, como acho até hoje. Acho incrível São Paulo, gosto dessa cidade. Acho incrível ser prefeito.

 

 

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