Antes de prisão, suspeito recorreu a procurador

Ronilson Rodrigues procurava saber se estava sendo investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE); pedido de ajuda foi negado

Artur Rodrigues, Bruno Ribeiro e Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2013 | 02h04

Apontado como chefe da quadrilha responsável por fraudar a arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) na capital, o auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues recorreu ao procurador de Justiça Mário Pedro Paes, dois meses antes de ser detido, para tentar descobrir se era alvo de investigação do Ministério Público Estadual (MPE).

Paes diz ter negado o pedido de ajuda, mas uma semana antes da operação que desbaratou o esquema marcou um encontro com o acusado, que só não aconteceu porque Rodrigues foi preso no mesmo dia.

O episódio só veio à tona porque o último contato telefônico entre os dois caiu na rede de escutas da investigação sobre o grupo que teria dado prejuízos de até R$ 500 milhões ao oferecer redução de ISS mediante pagamento de propina. Ao Estado, Paes confirma a conversa, diz que conhece Rodrigues há quatro anos, mas nega ter qualquer envolvimento no caso. O relacionamento dele com o acusado será investigado pela Corregedoria-Geral do MPE.

Segundo o procurador, Rodrigues ligou uma semana antes de ser preso para pedir "orientação jurídica". O encontro ocorreria em seu gabinete. "Não sei o que era exatamente, qual tipo de orientação. Mas não ia falar para ele: não posso te atender", diz Paes. "Só que na quarta-feira de manhã ele foi preso e aí vi o tipo de pessoa que era."

Dois meses antes, revela Paes, Rodrigues já o havia procurado, questionando se havia alguma investigação contra ele. "Eu disse que não tinha a menor chance de ligar para quem quer que seja para ver se tem investigação", diz o procurador. "Ali, já fechei a porta. Se ele (Rodrigues) já sabia que estava sendo investigado, foi muito maldoso e mal intencionado comigo."

Relacionamento. Paes conta que a relação com Rodrigues começou há quatro anos, quando precisou realizar três execuções fiscais municipais. "Recebi uma intimação de execução fiscal e entrei em contato com a Secretaria de Finanças, em vez de ir à praça de atendimento. E quem me atendeu foi o Ronilson, que foi muito solícito."

Segundo ele, o ex-subsecretário o ajudou a resolver outros dois casos relativos a tributos, mas sem nenhum tipo de prática irregular. "Ele fez levantamento e paguei tudo certinho. Tenho tudo documentado."

Paes afirma que, apesar da colaboração, nunca encontrou Rodrigues pessoalmente e, por isso, não o considera um amigo. "Lamentavelmente, tive de ter contato com o Ronilson. Quando ele foi preso, vi que era um 'picaretão'." O procurador sugere que esteja sendo usado "por quem quer desestabilizar o Ministério Público". Procurado, o advogado de Rodrigues não foi achado.

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