Maria Eduarda Chagas/Estadão
Maria Eduarda Chagas/Estadão

Antes de inauguração, ciclovia na Bernardino de Campos é aprovada por ciclistas

No domingo, 23, avenidas Paulista e Bernardino de Campos serão interditadas para veículos

Maria Eduarda Chagas, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2015 | 22h43

"Agora tenho uma ciclovia interligando meu trabalho e minha casa", diz Elaine Fontana, professora de artes, de 36 anos, que aproveitou a retirada dos tapumes nesta sexta-feira, 21, para testar a mais nova via para bicicletas na cidade, na Avenida Bernardino de Campos. A inauguração oficial está marcada para o domingo, 23. 

Elaine mora na região da Consolação e trabalha na Vila Mariana. "Vai ser uma mudança significativa na minha rotina diária", afirma a ciclista. Continuação da Avenida Paulista, no sentido Paraíso, a Avenida Bernardino de Campos tem agora 750 metros de ciclovia, até a Rua Vergueiro. A ciclovia já estava quase pronta nesta sexta-feira. Em alguns trechos, porém, ainda faltam grades de proteção.

Para Gabriel Cassiano, estudante de economia da PUC, de 18 anos, a ciclovia está bem sinalizada."Tem faróis em todos os cruzamentos, tanto para ciclistas quanto para pedestres e para os carros, as sinalizações na faixa em si estão certinhas até agora", disse. Para ele, uma ciclovia no local era uma demanda que já existia há algum tempo por parte dos ciclistas.

O fotógrafo Fernando Dantas, de 38 anos, vinha de bicicleta desde a Barra Funda. "No único trecho que não tem ciclovia, tive que subir pela calçada, para atravessar a Consolação, mas de resto foi tudo tranquilo. Estou vendo bastante movimento e foi muito rápido chegar aqui", afirmou.

Para Sivaldo José de Souza, funcionário de uma banca de jornal na avenida, a ciclovia trouxe benefícios ao local. “A rua ficou muito mais iluminada e muito mais bonita”, disse. A gerente do Hotel Bella Paulista, Lucia Gomes, se queixou das obras para implementação da via, mas afirmou que a mudança pode ser positiva. "Ainda não deu tempo de avaliar".

Já a pedestre Daniele Maciel, analista de sistemas, gostou da ideia da ciclovia no local, mas achou a medida perigosa para quem está a pé. "A gente precisa circular por aqui para atravessar a rua e não são todos os ciclistas que respeitam os pedestres que estão passando. Tem gente que esquece de ir devagar, que não presta tanta atenção". Na última segunda-feira, 17, o zelador aposentado Florisvaldo Carvalho da Rocha, de 78 anos, morreu após ser atropelado por uma bicicleta perto da ciclovia da Avenida General Olímpio da Silveira, embaixo do Minhocão.

Neste domingo, 23, tanto a Avenida Paulista quanto a Bernardino de Campos serão abertas exclusivamente para pedestres e ciclistas entre as Ruas da Consolação e Vergueiro das 9h às17h. Segundo a CET, haverá faixas de trânsito específicas para permitir o acesso aos respectivos prédios. A ciclofaixa da Paulista, que é instalada todos os domingos e feriados, funcionará normalmente entre às 7 e 16 horas.

Para especialista, cidade precisa incorporar as bicicletas. "Motoristas de carro, ônibus, não podem ver o ciclista como um concorrente, um competidor, mas devem respeitá-lo como outro meio de transporte, que tem os mesmos direitos", afirma o consultor em planejamento urbano José Leandro Resende Fernandes.

Para o especialista, as ciclovias devem estar interligadas a outros meios de transporte, como trem, metrô e ônibus. "Ciclovia deve ser pensada em termos de um sistema, tem que ter uma boa ligação com outros modais", diz. 

Em termos de segurança, as ciclovias devem atender a alguns requisitos. Segundo Fernandes, deve haver uma redução da velocidade dos veículos para evitar acidentes mais graves. Além disso, é necessário que haja uma separação de ciclistas com relação ao tráfego, com grades, cones, tartarugas. “Pontos de interseção, como cruzamentos, devem estar muito bem sinalizados, para que o ciclista esteja ciente dos riscos do local”, afirma. São Paulo tem agora 356,8 quilômetros de malha cicloviária, 260,2 quilômetros inaugurados na gestão do prefeito Fernando Haddad.

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