Antes de greve no RJ, Planalto comemorava desocupação na Bahia

Governo federal avaliava que enfraquecimento do protesto inviabilizava votação da PEC 300 no Congresso

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2012 | 03h03

Antes da definição da greve dos policiais no Rio, na noite de ontem, o governo federal comemorava de forma entusiasmada a desocupação da Assembleia Legislativa da Bahia pelos policiais militares grevistas e a prisão dos líderes do movimento.

No Palácio do Planalto, a avaliação foi de que a divulgação pelo Jornal Nacional de quarta-feira do conteúdo de grampos e conversas dos chefes do movimento, em que falavam de sabotagem, foi fundamental para enfraquecer o movimento. Nos bastidores, a informação é de que foi o governador Jaques Wagner (PT) quem vazou os grampos.

Outro motivo de festa por parte do governo foi a impressão de que perdeu força no Congresso a defesa da votação da emenda constitucional que unifica o piso salarial de bombeiros e PMs em todo o País, a chamada PEC 300. O governo é contrário à aprovação da emenda. Conta, para isso, com o apoio dos governos estaduais, que afirmam não ter dinheiro para pagar o piso.

Na Câmara, apesar de estar ressentido com o governo por não ter conseguido indicar um afilhado para o Banco do Brasil, o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), já disse que não dá para votar a PEC 300. Ele argumenta que não há previsão orçamentária para os gastos, que os Estados não suportariam o impacto em suas contas e não se deve votar um projeto no calor dos acontecimentos.

"Não temos como regular salários de servidores públicos estaduais. Cada local tem uma realidade e esse tema deve ser tratado nos Estados", disse Maia nesta semana. "O governador Jaques Wagner não dá aumento maior porque não pode. O mesmo ocorre em São Paulo, no Rio Grande do Sul. Esse debate deve acontecer em cada Estado. Transferir para a Câmara não me parece uma boa medida."

Jaques Wagner, que desde o início da greve dos PMs recebeu todo o apoio do governo federal, recebeu ligações da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente da Câmara, do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Wagner foi cumprimentado pelo desfecho pacífico da greve, de acordo com informações de assessores do governo da Bahia. Todos se disseram satisfeitos. No momento, o governo petista trava uma guerra com os tucanos quanto à forma em que as autoridades devem se comportar em casos de conflito em greve e em manifestações de movimentos sociais.

Pinheirinho. Os petistas alegam que não dá para reprimir os movimentos sociais de forma violenta e sempre citam o caso da desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, com quase 20 feridos.

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