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Antes de crime, menino teria ameaçado parente

Depoimentos relatam mudança de comportamento; garoto suspeito de matar os pais teria apontado arma e tentado ir à escola usando touca ninja

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2013 | 23h02

O estudante Marcelo Pesseghini, de 13 anos, suspeito de matar os pais, a avó, a tia-avó e depois se suicidar, teria mudado de comportamento antes dos crimes, de acordo com os depoimentos ouvidos no inquérito. Duas semanas antes das mortes, no dia 5, na residência da família na Brasilândia, zona norte de São Paulo, o garoto teria começado a apontar a arma do pai para parentes e tentado ir à escola vestindo uma touca ninja.

Marcelo teria acesso à arma do pai, o sargento da Rota, Luís Marcelo Pesseghini, de 40 anos, que era casado com a cabo Andréia Regina Pesseghini, de 36. Cinco crianças que estudavam com o garoto no Colégio Stella Rodrigues já foram à polícia. Segundo pessoas que acompanharam as investigações, elas disseram que Marcelo havia avisado da intenção de matar os pais.

Logo nos primeiros depoimentos, o garoto foi retratado como um filho exemplar e bom aluno. Mas, de acordo com policiais, os professores e pais de alunos não tinham conhecimento dos comentários que fazia no colégio. Segundo a investigação, os próprios pais de Marcelo poderiam não ter prestado atenção à mudança de comportamento do filho.

Nessa quinta-feira não foram prestados novos depoimentos. Para esta sexta,16, a previsão do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) é ouvir pelo menos mais duas pessoas: outro estudante da escola de Marcelo e o perueiro que levava o garoto esporadicamente para casa. Na data do crime, ele voltou da escola de carona com o pai de um colega.

A polícia pretende ouvir na terça-feira a médica que acompanhava o tratamento de Marcelo para fibrose cística, uma doença degenerativa que o garoto havia conseguido controlar. Ela teria atendido o menino desde quando ele tinha 1 ano.

Vandalismo. A casa onde a família de PMs morreu foi alvo de ataque de vândalos ao longo da semana, com tentativas de arrombamento. A Secretaria da Segurança Pública informou, porém, que não houve nenhum registro de ocorrência por parte das pessoas responsáveis pelo imóvel. Uma das pichações diz "Marcelinho inocente!!!", contrariando a principal tese da polícia - de que o menino é o autor das mortes.

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