Antes banidos, cães refletem a ascensão atual da China

Xiangzi (felizardo) tem um nome muito apropriado. O husky siberiano é bastante mimado por sua proprietária, Qiu Hing, com dois passeios diários, brinquedos americanos, cuidados com a aparência e US$ 300 ao mês em comida e presentes.

Michael Wines / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2010 | 00h00

Xiangzi não é apenas um cachorro, mas um fenômeno social - e talvez um sinal da rapidez com que essa nação camponesa outrora empobrecida está se transformando em um expoente do Primeiro Mundo.

Vinte anos atrás, praticamente não havia cães em Pequim. Os poucos existentes corriam o risco de acabar na mesa do jantar. Hoje ainda é fácil encontrar carne de cachorro. Mas é muito mais fácil encontrar lojas, sites, tudo para cães. Segundo a prefeitura, há 900 mil cães na capital chinesa e seu número cresce 10% ao ano. E esses são os registrados. Milhares de outros não têm licença.

Há séculos, a elite chinesa tinha cães como animais de estimação. Mas, na era comunista, eram usados mais como guardas ou comida do que como companheiros. Os anos de escassez tornaram esses animais um luxo burguês.

O renascimento econômico da China mudou tudo isso. "Há muito estresse na vida e um cachorro ajuda a aliviá-lo", diz Qiu. Muitos afirmam que a política populacional que só permite um filho por família estimulou o entusiasmo pelos cachorros. É uma forma de dar um companheiro aos filhos únicos e de preencher o vazio deixado por filhos crescidos. Para alguns, no entanto, os cães são um símbolo de status. O máximo da ambição é o mastim tibetano. Uma mulher teria pago US$ 600 mil por um deles.

Mas nem todos os habitantes concordam com a situação. "O nascimento dos seres humanos precisa ser planejado, mas todos podem criar cães?", questionou um internauta em um blog. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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