Divulgação/Governo de SP
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Antecipação de feriado é precipitada, diz Doria; Covas rebate: 'falta senso de urgência'

Declaração do governador foi feita na manhã desta sexta-feira durante a entrega de mais 2 milhões da CoronaVac ao Ministério da Saúde; já o prefeito de SP falou do Hospital Sírio-Libanês, onde se encontra para mais uma sessão de quimioterapia

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2021 | 12h00
Atualizado 19 de março de 2021 | 13h27

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), considerou precipitado o anúncio feito na quinta-feira, 18, pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) de antecipar feriados na capital paulista para reduzir a circulação de pessoas na capital, em razão do avanço do novo coronavírus.

A declaração foi feita na manhã desta sexta-feira, 19, na sede do Butantan, durante a entrega de mais 2 milhões de doses da CoronaVac pelo instituto ao Ministério da Saúde para o Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Com relação aos prefeitos do litoral paulista que temem superlotação na região com decreto do município paulista, o governador afirmou que alertou a Prefeitura de São Paulo que "uma medida como essa deveria ser discutida previamente com governo estadual e prefeitos da região metropolitana e do litoral". 

"Gera preocupação em prefeitos, principalmente da Baixada Santista, litoral norte e litoral sul em relação ao volume de pessoas que poderiam se dirigir a essas cidades diante de um feriado prolongado. Infelizmente, a decisão do prefeito (Bruno Covas) foi anunciar sem esse entendimento prévio. Recebemos várias manifestações. O centro de contingência está avaliando agora as medidas e manifestações. Ainda nesta sexta-feira, vamos anunciar algumas medidas e atender solicitações feitas por esses prefeitos para evitar a superlotação no litoral", afirmou Doria.

Em resposta ao governador de São Paulo, o prefeito Bruno Covas, que se encontra no Hospital Sírio-Libanês para mais uma sessão de quimioterapia, disse nesta sexta-feira que falta senso de urgência. "Aqui na Prefeitura tem menos falação, foco no trabalho e colaboração. Faço o máximo que posso para defender o povo da minha cidade. Sempre aberto a colaborar com outras cidades e com o governo do Estado. Mas cada um precisa assumir suas responsabilidades", afirmou.

Ainda durante encontro, Jean Gorinchteyn, secretário estadual da Saúde também admitiu a possibilidade de ter entre 750 e 800 mortes por dia no Estado, caso a população também não colabore para aumentar o isolamento social. A previsão foi antecipada na coluna da Mônica Bergamo, pela Folha, nesta manhã.

"Essa projeção é possível, uma vez que, por mais que estejamos aumentando o número de leitos e assistência a vida, se não houver o apoio das pessoas no sentido de evitar sua circulação e essa fase emergencial visa exatamente diminuir a mobilidade das pessoas é óbvio que junto com as pessoas que circulam, circulam com elas o vírus. Com isso, mais pessoas ficam doentes e acabam indo de forma até grave para as unidades de saúde. É importante lembrar que é uma doença grave e que 40% dessas pessoas, infelizmente, morrem nas unidades de terapia intensiva", disse.

"Estamos na fase mais restritiva do Plano São Paulo. Fomos obrigados a entrar no faseamento emergencial às custas da progressão da própria pandemia. Elevação do número de casos e internações e medidas mais restritas que visam reduzir a circulação das pessoas. Hoje temos diariamente 17 mil novos casos sendo notificados no nosso Estado e 600 mortes por dia e mantendo a média móvel de 600 mortes por dia. Na segunda-feira, 15, anunciamos a ampliação de 1,3 mil leitos, sendo metade para Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas isso ainda é pouco. Precisamos também que a população entenda que reduzir sua circulação é fundamental e se sair de casa, faça com segurança", acrescentou o secretário estadual da Saúde.

Sobre afirmação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) feita na quinta-feira de que o governo federal entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra decretos de governadores e prefeitos, que estabelecem medidas restritivas no combate à pandemia, o governador de São Paulo afirma que não recebeu nenhuma notificação até agora.

"Até o presente momento não recebemos nenhuma informação. Mas classifico como uma medida, se vier a ser praticada de fato, medida que mostra coerência de um negacionista que é contra o isolamento, distanciamento, uso de máscara, contra a vida e a proteção das pessoas, assim como é contra a vacina", criticou Doria.

Entrega de doses da Coronavac para o Ministério da Saúde

Doria acompanhou a entrega de mais 2 milhões de doses da CoronaVac, vacina da farmacêutica Sinovac fabricada pelo instituto ao Ministério da Saúde. O lote compõe os 7,3 milhões de unidades entregues desde a última segunda-feira, 15. Com a entrega desta sexta-feira, o total de doses distribuídas ao Ministério da Saúde chega a 24,6 milhões.

“Em apenas uma semana, o Instituto Butantan e o Governo do Estado de São Paulo estão fornecendo, aos brasileiros de todo País, 7,3 milhões de doses da vacina do Butantan. É o maior volume de vacinas entregues em uma semana até o presente momento", disse Doria. 

Pouco antes das 6 horas da manhã, Doria acompanhou a troca de turno de funcionários na fábrica da vacina do Instituto Butantan. "Agradeci a todos os quase 400 profissionais. O trabalho deles significa a vacina e cada vacina salva uma vida", afirmou.

Até o fim de abril, o número de vacinas garantidas por São Paulo ao PNI somará 46 milhões. O Instituto Butantan trabalha para entregar outras 54 milhões de doses ao ministério até 30 de agosto, totalizando 100 milhões de doses.

Produção da CoronaVac

No último dia 4, uma remessa de 8,2 mil litros do chamado Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) - parte de todo o medicamento que tem atividade -, que  correspondente a cerca de 14 milhões de doses, desembarcou em São Paulo para produção local.

Outros 11 mil litros de insumos enviados pela Sinovac chegaram ao Brasil em fevereiro. Até o fim deste mês é esperado um novo carregamento correspondente a cerca de 6 milhões de doses, o que permitirá o cumprimento integral do primeiro contrato firmado com o Ministério da Saúde.

Com o aporte regular de matéria-prima, o Instituto Butantan formou uma força-tarefa para acelerar a produção de doses da vacina para todo o País. 

Entregas da vacina do Instituto Butantan ao Ministério da Saúde:

  • 17/1 - 6 milhões
  • 22/1 - 900 mil
  • 29/1 - 1,8 milhão
  • 5/2 - 1,1 milhão
  • 23/2 - 1,2 milhão
  • 24/2 - 900 mil
  • 25/2 - 453 mil
  • 26/2 - 600 mil
  • 28/2 - 600 mil
  • 3/3 - 900 mil
  • 8/3 - 1,7 milhão
  • 10/3 - 1,2 milhão
  • 15/3 - 3,3 milhões
  • 17/3 - 2 milhões
  • 19/3 - 2 milhões 

A previsão é atingir 46 milhões (total de janeiro a abril) até 30 de abril. 

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