Ansiosa, equipe aguarda médica

Brasileira vai trabalhar com saúde da família

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2013 | 02h08

Uma equipe em contagem regressiva. Amanhã, uma médica brasileira será recebida com festa na Unidade Básica de Saúde (UBS) Cupecê, na zona sul de São Paulo. Inscrita no programa Mais Médicos, do governo federal, Beatriz da Cunha, mesmo desconhecida, já é "famosa" nos corredores do posto de saúde.

Na sexta-feira passada, a chegada dela era o assunto mais comentado nas rodas de conversa de enfermeiras, auxiliares e agentes comunitárias. "A gente estava esperando por um cubano, né? Bem alto, forte e bonitão. Mas, já que não veio, a doutora será muito bem tratada", brinca a agente comunitária Márcia Santa Rosa, de 33 anos.

Beatriz vai ocupar a vaga aberta há quase três meses na equipe de número seis do Programa Saúde da Família (PSF) da Cupecê. Entre suas futuras atribuições, está a visita domiciliar a famílias que vivem em comunidades carentes da região do Jabaquara, como as Favelas Alba e Rocinha, com alto índice de vulnerabilidade social.

Diferentemente dos chamados intercambistas - brasileiros que se formaram fora do País ou estrangeiros -, a futura médica do posto não precisou fazer o curso ofertado pelo Ministério da Saúde e, por isso, vai começar a atender 15 dias antes do grupo em capacitação.

No PSF, a rotina de trabalho é pesada. As visitas domiciliares são apenas parte do serviço. As 40 horas semanais são completadas com consultas na UBS - a fila de espera é de, no mínimo, um mês - e reuniões de formação e planejamento, palavra-chave para o sucesso do programa.

"Muitas equipes sofrem com a falta de comprometimento dos médicos. Os que chegam para trabalhar aqui normalmente são jovens e acabam indo embora", diz Márcia. O último médico de sua equipe "durou" pouco tempo e não conseguiu formar vínculo com os pacientes.

Entre as justificativas dos médicos que desistem do serviço, a violência figura sempre no topo da lista. Regiões que concentram favelas costumam sofrer mais com isso, seja ou não na periferia. "É por isso que as agentes comunitárias compõem as equipes. Moramos lá e vamos com os médicos. Nunca tive problemas", afirma Márcia.

Para quem precisa de atendimento, as justificativas não se sustentam. Luiza Félix da Silva, de 58 anos, estava na sala de espera da UBS quando viu passar um grupo de brasileiros e estrangeiros que compõem o programa no Estado e participam de um treinamento. Na manhã de anteontem, 25 deles visitaram o posto para conhecer o sistema municipal - por ser brasileira, Beatriz não estava na lista.

Usuária da unidade, a aposentada deu boas-vindas aos profissionais, mas ressaltou que lá o que falta é estrutura. "Médico da família tem. O que não tem é horário com especialista e lugar perto para fazer exame. Num País tão grande como o nosso, não dá para entender por que é preciso vir gente de fora", disse.

In loco. A visita durou cerca de uma hora e meia. Divididos em dois grupos, os médicos foram informados sobre horários de funcionamento das unidades, protocolos de tratamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e tempo de espera para consultas.

Na UBS Cupecê, a direção informou que os usuários aguardam um mês, em média. O prazo é contestado por pacientes, que mencionam demora de até três meses. "Quem sabe com esse programa a coisa melhora", diz a aposentada Dirce dos Santos, de 69 anos.

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