'Ânimos estão esquentando entre black blocs'

A pesquisadora Esther Solano acompanha os black blocs desde os primeiros protestos de 2013. De lá para cá, a percepção dela é de que a tática ganhou mais adeptos e que a agressividade aumentou. Para ela, a ação da polícia que baleou um rapaz pode fazer aumentar ainda mais a violência.

Entrevista com

Artur Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2014 | 02h02

Quais as consequências do manifestante baleado entre os black blocs?

Ele realmente parece que é um deles (manifestante). Tem alguns que conhecem e tal. Foi uma coisa grave. Ele tem o potencial para virar um herói entre eles e ser a base para uma escalada de violência maior.

Mudou algo entre eles desde junho de 2013?

Os ânimos estão esquentando bastante. Ontem (anteontem), estava conversando com um que me disse: "Isso é um alerta para o governo. A gente vai partir para a violência porque é o único jeito de sermos escutados". Há uma parte dos black blocs que diz que essa é a única forma de reivindicar. Após protestos, há uma enxurrada de vídeos no Facebook, como o do Choque entrando no hotel. Esses vídeos alimentam as ideias que eles têm de que a PM é violenta e ataca manifestantes.

Agora, os black blocs têm bandeira e atacam sem ser atacados. Isso vai contra o que eles diziam no começo.

É um grupo muito heterogêneo. Alguns deles são críticos ao que aconteceu. Me disseram: "Olha, não deveríamos ter sido tão agressivos (manifestantes)". Tem um grupo mais articulado, mais consciente das ideias políticas. Agora, há outros sem tanta articulação política e que partem mais para ação direta.

Eles pedem o fim da Copa. O que podemos esperar?

Todos concordam que eles não vão parar a Copa, mas têm capacidade para criar tumulto, cenas de medo e pânico.

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