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Andreu traça cenário 'extremamente grave' para abastecimento

Presidente da ANA disse em audiência pública que situação dos principais reservatórios do País é muito pior do que era há um ano

O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2015 | 19h31

BRASÍLIA - O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, traçou nesta terça-feira, 5, um panorama absolutamente crítico para a situação do abastecimento de água em 2015, nas regiões Sudeste e Nordeste do País. Em audiência pública na Câmara, Andreu disse que o cenário dos principais reservatórios do País é muito pior do que era há um ano e que este será um "ano extremamente grave" para o abastecimento humano nas duas regiões. 

Segundo o presidente da ANA, as chuvas ocorridas entre dezembro e abril deste ano sequer conseguiram repor o volume morto do Sistema Cantareira, estando hoje com saldo negativo de 10% em relação ao mínimo de seu volume útil. Um ano atrás, o Cantareira tinha volume positivo de 30% sobre seu volume útil.


Andreu lembrou que o período de seca começa agora, sem haver muito o que fazer em termos de gestão para gerenciar a crise. Ele lembrou que, se medidas tomadas neste início do ano tivessem sido adotadas no início de 2014, como a agência havia alertado, a situação hoje estaria menos crítica para o Cantareira. "Se tivéssemos operado com os níveis atuais de operação no início de 2014, teríamos hoje um índice acima do volume morto. Infelizmente isso não foi feito", afirmou.

Sobre o Nordeste, Andreu afirmou que a região deve se preparar para a pior situação já vista na série histórica dos últimos 84 anos. Grande parte dos reservatórios da região, como o de Sobradinho, está completamente comprometida. "A situação do Nordeste é extremamente grave, porque estamos no fim da quadra chuvosa. A recuperação entre fevereiro e maio, no período de acumulação de água, está muito baixa ou até negativa. Não houve acúmulo para abastecimento de água dessas regiões", disse.

Vicente Andreu comentou ainda a necessidade de aprimoramento na gestão da água, regularmente alvo de conflito entre União, Estados e municípios. Além disso, há polêmicas sobre o uso múltiplo da água, envolvendo questões sobre abastecimento humano, transporte e geração de energia. O modelo defendido pela ANA é de que seja criado um tipo de fórum para tomar decisões em situações críticas de abastecimento. 

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