Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE

Anchieta: trecho urbano vira foco de criminosos

Abandonada e cheia de pichações, via ainda tem lixo e entulho espalhados pela calçada; à noite, problema é a escuridão

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

23 Março 2011 | 00h00

JORNAL DA TARDE

Degradado, pichado e sujo, o trecho urbano da Via Anchieta, no Sacomã, zona sul de São Paulo, tem atraído criminosos. Comerciantes, moradores, pedestres e motoristas são vítimas de assaltos, furtos e ameaças. No mês passado, houve um latrocínio.

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A Polícia Militar admite a ocorrência de crimes na região e afirma que tem trabalhado para reduzir a violência. O Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de São João Clímaco e Heliópolis, responsável pela região, já notificou o problema para todos os órgãos envolvidos e promete recorrer ao Ministério Público caso não haja solução.

Um posto de gasolina e o prédio de um banco abandonados se tornaram pontos críticos nesse trecho. Cheios de lixo e entulho e com buracos nas paredes, servem de esconderijo para usuários de drogas e criminosos, que atiram pedras em quem se aproxima. Ao longo da via há dezenas de prédios vazios que pertenciam a empresas e lojas que se mudaram. Com exceção das agências bancárias e postos de gasolina, quase todos os estabelecimentos estão pichados. O lixo se acumula em pontos da calçada. À noite, o problema é a escuridão.

Segundo o Conseg, comerciantes e moradores dizem que são vários os tipos de assaltos. "Os motoristas costumam ser atacados por motoqueiros. Temos relatos de que muitos usam capacete cor-de-rosa para passar a impressão de que são mulheres. As vítimas se descuidam", diz o presidente do Conseg, Luis Carlos da Silva.

Com sete agências bancárias nesse trecho, também têm ocorrido saidinhas de banco, crime no qual clientes são assaltados logo após deixar a agência. No mês passado, um homem foi morto ao sair de um banco. Odair Oliveira Brás, balconista de uma lanchonete que já foi assaltada, conta que um ladrão entrou no local e foi direto em um cliente. "Colocou o revólver na barriga do rapaz e pegou R$ 500 que ele havia sacado do banco."

Joseilton Teixeira Dias, de 56 anos, sócio da Panificadora e Confeitaria Nova Estoril, teve o estabelecimento arrombado e incendiado na madrugada de 11 de novembro. "Foi desesperador ver o estrago." O prejuízo foi de R$ 10 mil.

Em um posto de gasolina, que fica aberto 24 horas, funcionários dizem que apenas em junho do ano passado foram assaltados 17 vezes. Só melhorou após a contratação de seguranças. No local é comum os frentistas socorrerem mulheres assaltadas no cruzamento com a Rua Riga. "Elas chegam apavoradas", diz uma frentista.

Pedestres também passam apuros. Uma recepcionista afirmou que, além de ter sido assaltada, o bandido xingou-a porque o celular era velho. "Achei que iria me dar um tiro." Desde então, ela procura andar em grupo.

O capitão Wagner Vila Real, da 1.ª Companhia do 46.º Batalhão, admite que a região tem problemas. Ele diz que, além do patrulhamento, todos os gerentes de banco o acionam quando suspeitam de pessoas no local. "Imediatamente, enviamos viaturas para lá." Comerciantes também têm recebido orientação, afirma.

A Secretaria de Segurança Pública informou que, segundo o delegado Gilmar Pasquini Contrera, titular do 95.º DP (Heliópolis), não houve aumento nos registros de roubos na região.

4 PERGUNTAS PARA...

Neusa Nabas, DE 70 ANOS, DONA DE FARMÁCIA ASSALTADA OITO VEZES EM 3 MESES

1.Como são os assaltos?

É sempre o mesmo sujeito, o Marcos. Ele chega, com jeito de que está armado, embora nunca tenha mostrado a arma.

2.Ele assalta à noite?

Não. Normalmente é de manhã. Quando vejo ele atravessando a rua, meu coração dispara.

3.A senhora procurou a polícia?

Passei a tarde toda na delegacia e a farmácia teve de ficar fechada. Não deu em nada.

4.E como faz agora?

Quando vejo ele vindo, aceno para os vizinhos comerciantes, que dão uma corrida nele.

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