Análise: Toda mudança na cidade é negativa para alguém no começo

SÃO PAULO - Embora não conheça o projeto que foi apresentado pela Prefeitura sobre as novas ciclovias (clique aqui para ler), posso dizer que há diversos estudos feitos pelo mundo que mostram que os pedestres são responsáveis por até 60% das vendas do comércio de rua, seguidos pelos usuários do transporte público, depois o carro e depois o ciclista. Então, o comércio não deve ser prejudicado pela mudança. 

Ricardo Corrêa, Arquiteto, urbanista e consultor em mobilidade

04 de junho de 2014 | 20h56

Sobre a fluidez do tráfego, há cidades que restringem o estacionamento em vias centrais porque parar o carro, manobrar na vaga, acaba atrapalhando também o fluxo de veículos.

Um ponto que precisa ser observado é quanto ao respeito de vagas para quem tem mobilidade reduzida. Essas pessoas têm no carro uma vantagem e as vagas para elas devem ser mantidas. Logicamente, deve haver um projeto voltado para isso. E esse é um problema das cidades brasileiras. Algumas boas ideias não resultam em bons projetos.

Por outro lado, a liberação de vias exclusivas melhora a acessibilidade de quem tem mobilidade reduzida. Há veículos com três rodas, com tração feita na mão, e o mercado pode se adaptar facilmente a isso.

Agora, quando à perda das vagas de estacionamento, ou até de circulação, temos de lembrar que, em uma faixa, é possível passar até 2.000 carros por hora. Mas passam 14 mil bicicletas. Ou seja, há um melhor uso do solo. Sem contar que estacionar na rua é ocupar um espaço público por um bem privado. 

Toda mudança nas cidades é negativa para alguém em algum momento. É preciso haver um tempo para adaptação. Essa mudança, a médio e longo prazo, é benéfica para a cidade, se o projeto for bem elaborado.

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