Análise: Tiro deve ser último recurso, como se ensina na academia

'O Estado não pode matar sem investigar, não pode matar sem ser provocado a adotar uma medida extrema como essa'

Renato Sérgio de Lima, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2016 | 21h35

Infelizmente é possível perceber que há um padrão de ação dos agentes de segurança do poder público de sempre atirar durante uma perseguição, quando o ideal seria usar o disparo sempre como último recurso.

Nos treinamentos, os agentes são orientados a usar todos os recursos para fazer o carro perseguido parar. Existe a possibilidade de acompanhamento, de pedir ajuda de outras viaturas para montar um cerco e prender os ocupantes do veículo.

Nesse triste episódio, considerando que houve sim uma situação de tensão, já que eram guardas perseguindo ladrões, ficou claro mais uma vez que as forças de segurança não podem sair atirando, pois podem acertar alguém que está dentro do carro e pode não ter nenhuma relação com os criminosos. Se houvesse um refém no veículo, possivelmente seria atingido pelos disparos.

O Estado não pode matar sem investigar, não pode matar sem ser provocado a adotar uma medida extrema como essa. Este episódio deve acender um sinal vermelho nas autoridades para que sejam adotadas técnicas de como parar um veículo durante perseguição sem a necessidade de entrar em confronto com os ocupantes. E, certamente, sair atirando é o pior dos cenários. Não é a solução ideal. É preciso colocar em prática o que é ensinado nas academias para garantir a segurança não só da vítima, mas do agente.

RENATO SÉRGIO DE LIMA É VICE-PRESIDENTE DO FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.