ANÁLISE: só com veículo mais cheio cooperativa consegue sobreviver

Sem entrar no mérito técnico da composição das planilhas de custos, o que parece é que há um desalinhamento de preços entre empresas e cooperativas de ônibus. A Prefeitura apertou tanto as cooperativas que, mesmo cumprindo frequência e horários de forma contratual, elas estão tendo de aumentar a ocupação dos veículos, comprometendo a qualidade do serviço - e o conforto - para cobrir uma remuneração que, comparativamente, está defasada em relação às empresas de ônibus.

Horácio Augusto Figueira,

06 Julho 2013 | 02h05

Em uma análise grosseira, é aí que está o nó da questão. Pagando pouco, você está forçando a prestação de um serviço ruim. É possível dizer 'ah, mas o micro-ônibus custa menos'. Mas não estamos discutindo o valor absoluto, e sim quanto o preço foi reajustado. Porque o preço do diesel é o mesmo. O pneu do ônibus é mais caro do que o do micro-ônibus, mas os reajustes são proporcionais. Não há uma distorção de mercado na área que justifique essa diferença.

A única explicação para a diferença é o índice de passageiro transportado por quilômetro. Assim, os lotações estão ficando cada vez mais cheios para que as cooperativas sobrevivam.

* HORÁCIO AUGUSTO FIGUEIRA É MESTRE EM TRANSPORTE PELA USP

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