ANÁLISE: sem estrutura de transporte não dá para descartar o carro

Não é preciso recolher mais um tostão em impostos. É preciso usar com sabedoria a montanha de dinheiro que o governo federal carrega para fora das cidades. A nossa carga tributária é uma das maiores e o serviço é um dos piores. Dar prioridade ao transporte público não significa que se deve desestruturar o meio de transporte que corresponde a mais de 7 milhões de deslocamentos por dia na cidade, que é o feito por automóvel. Se todas as pessoas que utilizam carro tivessem de migrar para o metrô ou o ônibus, não haveria espaço para todas elas. Não é possível desestruturar um sistema importante na cidade, antes de aumentar a capacidade de outro.

Sergio Ejzenberg,

14 de agosto de 2013 | 02h12

Ao colocar faixas exclusivas, só e mais nada, a cidade conseguiu aumentar a velocidade da viagem de ônibus. Mas não aumentou a capacidade do sistema. Porque não aumentou o número de viagens. O que acontece é que as pessoas estão ficando mais tempo nas garagens esperando. Em Londres, quando se implementou o sistema de pedágio urbano, a frota de ônibus foi aumentada em 10%. Antes de fazer essas mudanças, deveria ter sido montado um plano para mais frota, mais frequência e a organização de ônibus expressos e paradores. Quando só se faz faixa exclusiva e não há espaço para a ultrapassagem, vira um gargalo. O que se vê agora em São Paulo é uma resposta extrema aos protestos de junho. Tudo porque se quer dar resposta política a um problema real e técnico.

* É CONSULTOR DE TRÂNSITO E TRANSPORTE

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