Análise: Sem coletivos, 42% dos carros ficariam presos no trânsito

'É preciso tornar o ônibus e o metrô mais atrativos, rápidos e confortáveis. Velocidade é o primeiro fator de atração'

Horácio Augusto Figueira, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2014 | 23h27

Em março, compilei uma série de dados do trânsito paulistano para a Rede Nossa São Paulo. Em linhas gerais, o levantamento analisou a situação das vias caso fossem retirados todos os ônibus e caminhões. Ou seja, São Paulo, para o gosto de alguns, seria só de carros e motos.

Todos os antigos passageiros dos outros modais extintos - até dos fretados - passariam a se locomover em carros. Com base nas estatísticas da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) obtidas em 206 pontos de monitoramento das principais vias da capital paulista, constatamos que, no horário de pico da manhã (que vai das 7 às 10 horas), 42% das pessoas usando automóveis ficariam presas no congestionamento. 

Elas não conseguiriam sequer avançar para as principais avenidas e ruas da cidade, já saturadas. No pico da tarde (das 17 às 20 horas), o viário principal só conseguiria absorver mais 10% de automóveis, deixando de fora cerca de 40% dos antigos passageiros de ônibus, fretados e caminhões.

Pelo número excessivo de automóveis hoje, o viário de São Paulo já está trabalhando no limite nas seis horas dos picos. É preciso tornar o ônibus e o metrô mais atrativos, rápidos e confortáveis. No transporte coletivo, a velocidade é o primeiro fator de atração, depois a frequência e o conforto.

Horácio Augusto Figueira é consultor em Engenharia de Transporte de Pessoas

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