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Análise: Número de assessores parece excessivo mesmo em SP

'A um ano da campanha para a eleição, é certo que muitas dessas pessoas vão atuar como cabos eleitorais dos parlamentares'

Claudio Couto, O Estado de S. Paulo

01 Julho 2015 | 03h00

Faz sentido que o parlamentar tenha funcionários para atuar nas bases eleitorais, em contato cotidiano com o cidadão, para colher as demandas. Isso não é necessariamente ruim. Muitas vezes, o trabalho externo pode ser mais produtivo do que o interno, dentro do gabinete. A questão é o número: 30 assessores parece um número excessivo para um único parlamentar, mesmo considerando a dimensão da cidade de São Paulo. 

Todos representam um número significativo de pessoas, mas não estarão em contato com elas todo o tempo. Não é uma relação proporcional. Não é uma reta linear. A conta é outra. A um ano da campanha para a eleição municipal, é certo que muitas dessas pessoas vão atuar como cabos eleitorais dos parlamentares, provocando uma disputa mais desigual com o candidato que não tem essa estrutura e vai ter de se virar para fazer campanha, dependendo mais das doações.

Afirmar que não haverá aumento de gasto não significa muito. Estão pulverizando o salário dos outros funcionários, mas a dúvida é se os outros benefícios assistenciais, como vale-alimentação, não elevarão as despesas do Legislativo. Além disso, pulverizar os salários como se propõe significa que os assessores que estão lá não precisam ser tão bem remunerados, ou seja, não há uma preocupação com a qualificação desses assessores. Seria melhor um número menor de auxiliares, mas de alto nível.

CLAUDIO COUTO É PROFESSOR DE CIÊNCIA POLÍTICA DA FGV

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