Análise: Não há ‘indústria da multa’ e sim da impunidade

Especialista analisa dever de fiscalização pelo Estado das condutas nas vias públicas e o zelo dos motoristas em cumprir as leis de trânsito

O Estado de S.Paulo

17 Maio 2017 | 22h25

SÃO PAULO - O objetivo maior da fiscalização é prevenir acidentes e mortes. Na realidade, um radar não multa, ele registra um fato: a infração. A presença de mais radares resultará em mais infrações só se elas existirem. Diferentemente do fiscal, que pode achar que uma pessoa está ou não com cinto de segurança, o radar é impessoal. Não há interpretação. 

Não há “indústria da multa” e sim uma “indústria da impunidade”. Beber e dirigir, falar no celular ao volante ou exceder a velocidade é uma decisão do motorista. Todos temos obrigação de conhecer as leis de trânsito ao passar por exame de habilitação, mas a cultura de respeito à legislação está deixando de existir. Se não houver fiscalização, as regras não são respeitadas. As pessoas só pensam que deveria haver um radar quando um amigo ou familiar se torna vítima do trânsito.

O trânsito é coletivo, não individual. Não é porque você tem um carro mais potente que está acima das regras. Quem comete infração deve ser multado, quem acumular muitos pontos deve perder a carteira de motorista - e assim vamos educando. Mas é preciso lembrar que o poder público tem sua parcela de culpa. Também deveria existir multa para pistas com irregularidades, má sinalização, “radares pegadinha”. Falta zelo dos dois lados. 

Luiz Célio Bottura é engenheiro e consultor de trânsito

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