ANÁLISE: nada traz de novo o papa que defende pobres e justiça social

Quando um papa defende os pobres e a justiça social, ele nada traz de novo. Ainda é cedo para saber a inclinação política de Francisco - João Paulo II também criticava eventualmente o capitalismo e o culto ao dinheiro. Francisco dificilmente mudará abruptamente o posicionamento da Igreja em questões fundamentais. A verdade é que ele não é só um líder religioso. É também chefe de Estado. O discurso na favela do Rio, em que se pôs ao lado dos manifestantes, é conveniente quando a maioria da população apoia os protestos. Antes, a Igreja tinha um inimigo secular: o comunismo. Uma vez que este foi derrotado, a pobreza deixou de ser questão apenas política e voltou a ser uma disputa de almas com religiões rivais, principalmente as evangélicas. Logo, a defesa dos pobres é discurso não só conveniente, mas necessário. Nesse momento de reconquista de fiéis, Francisco retoma o legado de João Paulo II: a espetacularização da figura papal e representa a preocupação do Vaticano de estancar as fugas de seu rebanho. Por isso, ele é acima de tudo um pastor em comunicação direta com os fiéis.

Lincoln Secco, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2013 | 02h09

* LINCOLN SECCO É PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DA USP

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