Análise: Modelo de divulgação deve ser rediscutido

A transparência nas estatísticas criminais ainda é um desafio no Brasil, e São Paulo tem o mérito de ser o Estado pioneiro com a lei de 1995 que estabelece a obrigatoriedade da divulgação dos dados criminais. Ainda assim, a necessidade de melhorar a transparência e a qualidade dos dados permanece. Erros e outros problemas na classificação dos crimes estão sempre presentes, e a questão é como lidar com eles para melhorar a qualidade e a transparência das informações.

Carolina Ricardo*, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2016 | 05h00

Algumas medidas podem ser tomadas, tais como a criação de padrões e protocolos para garantir o preenchimento mais correto possível do sistema de registro de boletins de ocorrência nas delegacias e a criação de procedimentos rígidos para as retificações nos casos de registros equivocados de crime. Como o número de homicídios em São Paulo vem caindo, qualquer nova informação sobre esse crime precisa ser tratada com muito cuidado, não pode ser menosprezada e deve ser contabilizada.

É importante criar um padrão para divulgação desses casos. Seja agregando nos dados mensais de homicídios, seja criando um campo específico para as retificações nos dados de homicídios. A auditoria permanente nos dados de homicídios é um imperativo. Essa auditoria para garantir a qualidade da informação, aliada à sua ampla e irrestrita divulgação, fornecem subsídio para que a sociedade possa exercer o controle externo sobre a informação. Também é possível se pensar em um modelo de auditoria externa permanente nas informações da Secretaria da Segurança, o que garantiria maior isenção no controle exercido sobre os dados.

Há muitas possibilidades para melhorar a qualidade dos dados criminais no Estado e há avanços nesse sentido. O fundamental é ter compromisso com a qualidade e a transparência das informações divulgadas.

*É ASSESSORA SÊNIOR DO INSTITUTO SOU DA PAZ

 

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