ANÁLISE: manifestações repercutiram mal na opinião pública

É direito dos médicos - e de outros grupos - se manifestarem contra medidas do governo na área de saúde. O problema são os elementos simbólicos mobilizados pela categoria em seus protestos contra o Mais Médicos. A cena das vaias contra o profissional cubano negro, vista em Fortaleza nesta semana, levantou as questões do racismo e da xenofobia, que repercutiram mal na opinião pública.

Leonardo Avritzer,

29 de agosto de 2013 | 02h07

Os preconceitos primários deslegitimam a agenda dos médicos na arena política, sobretudo em um País tradicionalmente receptivo aos estrangeiros. As estratégias de rejeição e pouco diálogo com o governo também pesam contra.

As associações médicas erram ao destacar argumentos sobre regulamentação, mais ligados a privilégios corporativistas, do que a real carência nas periferias. A gestão da saúde, as competências profissionais necessárias e a expansão do atendimento médico deveriam ser os eixos centrais do debate.

* É CIENTISTA POLÍTICO DA UFMG

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