Análise: Levar uma arma para a sala de aula dá ‘status’ ao aluno

Pode ser que criança tenha planejado essa ação como forma de fugir dos limites impostos ao seu comportamento

O Estado de S. Paulo,

22 de setembro de 2011 | 22h45

SÃO PAULO - Aos 10 anos, a criança já sabe diferenciar um brinquedo de uma arma e sabe também que um revólver pode matar. É preciso lembrar que esse menino já tinha, de alguma forma, uma experiência com arma, pela profissão do pai. Por isso, já tinha consciência do que estava fazendo com aquele revólver 38.

Em uma escola, a criança precisa de limites impostos pela professora e pode ser que tenha planejado essa ação como forma de fugir desses limites impostos ao seu comportamento. Mas essa é só uma hipótese e vale mais para os casos de estudantes indisciplinados (no caso da escola do ABC, não havia nenhum registro nesse sentido).

Nessa idade, a criança está em uma fase de desenvolvimento físico e psicológico, que ocorre sobretudo na interação que ela estabelece com o mundo. Os pais não conseguem controlar nem interferir. Mas devem construir um ambiente favorável dentro de casa. E os professores podem fazer o mesmo, na escola.

No processo de desenvolvimento da identidade, os exemplos dados pelo mundo exercem grande influência. O que aconteceu na escola de Realengo, no Rio, pode ter ficado na cabeça dele. Se for esse o caso, a aprendizagem aconteceu pela imitação ou até pelo exibicionismo. Levar uma arma para dentro da sala de aula pode dar à criança algum status.

Nesse contexto, é função das famílias acompanhar essa aprendizagem, de perto e com muito cuidado. O fato de o menino ter se matado logo em seguida pode indicar que ele tenha se arrependido. Mas aí já era tarde.

NEIDE BARBOSA SAISI é professora de Psicologia da Educação na Faculdade de Eduação da PUC-SP

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