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Análise: Investigações policiais são prejudicadas pela qualidade do serviço

'O que se faz é muito pior e afeta toda a sociedade. Ao ser desrespeitada ou mal atendida, a vítima de um crime pode não mais procurar a polícia'

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2016 | 03h00

Quando a população é mal atendida no plantão de uma delegacia da Polícia Civil ou por uma patrulha da Polícia Militar, não se cria apenas mais um cidadão frustrado porque não obteve a prestação de um serviço do Estado. O que se faz é muito pior e afeta toda a sociedade. Ao ser desrespeitada ou mal atendida, a vítima de um crime pode não mais procurar a polícia. Delitos deixarão de ser registrados, e a Segurança Pública não terá como obter um retrato preciso do crime em um território. E, sem isso, não há como distribuir o efetivo policial de forma racional, de acordo com os índices de violência, para que a polícia esteja presente no lugar em que os bandidos agem. Os casos não comunicados pela população dificilmente são investigados. Cria-se impunidade e, com ela, mais crimes.

Cada vez que um policial manda alguém voltar no dia seguinte para registrar o boletim de ocorrência na delegacia ou cada vez que uma patrulha da PM demora 30 minutos para atender um caso, a investigação de um crime será prejudicada. Isso porque o bandido ganhará mais tempo para fugir, destruir provar ou vender objetos roubados. Mais uma vez, a vítima se sentirá desamparada pelo Estado. Especialistas em segurança dizem que tanto quanto a corrupção e a violência, a falta de eficiência e de qualidade do serviço prestado destrói a confiança da população em suas polícias. Isso favorece os bandidos e transforma a sociedade em vítima.

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