ANÁLISE: IDHM do Norte e Nordeste sustenta popularidade de Dilma

O mapa do crescimento do IDH municipal entre 2000 e 2010 mostra que a população do Nordeste e Norte se desenvolveu mais rapidamente e conseguiu estreitar a enorme distância econômica, educacional e de longevidade que a separa do resto do País. Os moradores de suas cidades somaram mais anos de vida, tempo passado na escola e reais na sua renda do que os do Sul/Sudeste.

José Roberto de Toledo e Amanda Rossi, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2013 | 02h06

Na média, o Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios do Norte/Nordeste cresceu 41% na década passada, contra um crescimento médio de 19% dos municípios do Sul/Sudeste. Ou seja, avançaram duas vezes mais rápido. Isso é natural quando se parte de uma base menor. Mas, na década anterior, a diferença entre o IDHM mais alto e o mais baixo crescera em vez de cair.

Das três dimensões do IDH, a maior diminuição de desigualdade não aconteceu na renda - como se poderia imaginar pela universalização de programas como o Bolsa Família. O encurtamento de distância mais significativo entre a base e o topo da pirâmide foi em longevidade. Isso se deveu à diminuição da mortalidade infantil e na infância, e à transformação da estrutura demográfica do País resultante, entre outros motivos, da redução do número de filhos por mulher. Houve também, nessa década de 2000 a 2010, avanços significativos na escolarização dos jovens do Norte e Nordeste.

Não por acaso, foi no Norte/Nordeste que Dilma Rousseff alcançou maior sucesso eleitoral em 2010. Os mesmos municípios que tiveram os maiores ganhos proporcionais de anos de vida, de renda e acesso à escola foram aqueles onde ela recebeu a maior fatia de votos. É neles que Dilma sustenta a popularidade que lhe resta.

No conjunto do Brasil, a presidente tem uma taxa de avaliação positiva igual à taxa negativa: 31%. Parece um jogo de soma zero, mas o saldo nulo oculta uma grande diferença regional. No Nordeste, Dilma tem saldo positivo de 21 pontos em sua popularidade. No Sudeste, é negativo em 14 pontos.

Consideradas as diferenças de tamanho das populações das duas regiões, o resultado é que o saldo negativo do Sudeste é exatamente igual ao saldo positivo de Dilma no Nordeste. Um anula o outro. A mesma coisa acontece com a diferença de avaliação da presidente no Sul (-4 pontos) e no conjunto das Regiões Norte/Centro-Oeste, onde é positiva em 9 pontos.

A questão é se o atual modelo econômico dará conta de sustentar os avanços de desenvolvimento humano obtidos na década passada, principalmente nas regiões mais carentes, e se conseguirá replicá-los nos próximos dez anos. Disso depende o futuro do Norte/Nordeste e, por tabela, a reeleição de Dilma Rousseff.

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