Análise: Governos deveriam articular prevenção permanente

A tendência de aumento do número de acidentes de trânsito no Brasil vai na contramão do que acontece hoje nas outras nações. No mundo ocidental, somado a Austrália e Japão, o índice vem caindo ano a ano. Esse cenário preocupa porque o trânsito mata tanto quanto uma guerra e as pessoas ainda tratam as perdas como se fossem inevitáveis.

Jaime Waisman, É professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica

19 Julho 2014 | 03h00

No Norte e no Nordeste, o número de acidentes de trânsito é mais alto por uma série de razões. Nos últimos anos foram nessas regiões do País onde houve maior aumento da taxa de motorização - a compra de automóveis particulares - alavancada pelas recentes facilidades de crédito e de consumo.

Com o crescimento da frota, temos a elevação da quantidade de condutores principiantes, novatos. A própria população também estava acostumada com ruas e avenidas de menor movimento, em que se podia trafegar sem necessidade de tanto cuidado. A infraestrutura também costuma ser pior nessas regiões, com vias, semáforos e sinalizações em condições piores, além de departamentos de trânsito e polícias viárias menos consolidados.

Vale lembrar também que, tanto no Brasil quanto no mundo, os casos de acidentes de trânsito são sempre subnotificados. A situação é muito mais grave do que indicam as estatísticas. Nas regiões menos estruturadas, a organização dos dados ainda tende a ter qualidade mais baixa do que nos Estados maiores, onde as frotas são enormes e os órgãos públicos estruturados. Isso faz com que os departamentos de trânsito aproveitem as informações como podem, mas faltam dados de qualidade para planejar as ações de educação e segurança.

E as iniciativas educacionais no trânsito, como apontam diversos estudos comportamentais, devem ser feitas continuamente. No Brasil, as campanhas de segurança no trânsito são dispersas. Causam forte impacto no começo, como as do uso do cinto de segurança e da direção sob efeito de álcool, mas depois perdem a força. Se não forem repetidas, as pessoas esquecem ao longo do tempo. Governos municipais, estaduais e federal deveriam articular programas permanentes de prevenção.

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