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ANÁLISE: em 2060, 3 trabalham para cada 2 crianças ou aposentados

Os brasileiros de 30 anos de idade são a crista da onda demográfica do País. Nunca houve uma corte tão populosa; não há perspectiva de que haverá outra igual neste século. Hoje, a onda demográfica pode ser surfada com grande vantagem econômica. Em 2060, será um problema previdenciário e de saúde pública.

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2013 | 02h12

Em 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva virou presidente, a crista estava com 20 anos de idade. Ao longo da década seguinte houve um feliz casamento: a maior força de trabalho que o Brasil já teve encontrou um mercado de consumo em expansão, vagas de emprego e remuneração crescendo acima da inflação. Criou-se um círculo virtuoso com potencial para mais 20 anos.

Pelas projeções do IBGE, a janela demográfica brasileira fica escancarada até 2022. A partir de 2023, ela começa a se fechar. Em 2034, a relação entre os economicamente dependentes (crianças e idosos) e a população potencialmente ativa (15 a 64 anos) já deverá ser pior do que é hoje. Daí para frente, o envelhecimento da população e a falta de reposição pelo nascimento ou imigração vai agravar essa dependência a cada ano. Em 2060, para cada três trabalhadores haverá dois aposentados ou crianças.

Todas as projeções têm por base modelo teórico. Crescimento do número de filhos por mulher, ondas migratórias e padrão de mortalidade podem mudar. Fora isso, os seres humanos, como conjunto, são mais previsíveis do que gostamos de admitir.

* DO ESTADÃO DADOS

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