Análise: Crime democrático pede melhoria policial e colaboração popular

Diretor do Sou da Paz comenta dados de roubo de celular, pedindo melhor trabalho preventivo da PM e investigação eficaz da Polícia Civil. Ele destaca ainda a importância de a população não fomentar o crime

Ivan Marques*, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2017 | 19h31

SÃO PAULO - Os dados comprovam que o roubo se tornou um crime geograficamente democrático, deixando de ser cometido nos centros e bairros mais ricos e se espalhando por todo o território. Isso demonstra a dificuldade clara da Polícia Militar em realizar o trabalho preventivo e da Polícia Civil em conduzir investigações que levem à diminuição desse crime. Pesquisa do Sou da Paz de 2016 mostra que poucos boletins de ocorrência viram inquérito, principalmente quando são de roubo, representando cerca de 1%. 

Nesse sentido, não dá para as polícias se aterem a combater o crime somente no flagrante, nas pessoas que roubam. Os receptadores e comerciantes de material de celulares roubados devem ser alvos preferenciais se o objetivo de fato é reduzir os casos. Nessa cadeia, é importante ainda que operadoras e fabricantes participem com tecnologias efetivas de bloqueio.

Na outra ponta, há parcela de culpa da população que fomenta o crime ao comprar esses objetos sem conhecer a procedência. Há de se estranhar quando o preço do camelô é dez vezes mais barato do que na loja. Se a sociedade achar que tudo bem comprar mercadoria de origem ilegal, nunca conseguiremos reduzir as taxas. 

Por fim, num contexto de criminalidade exacerbada, cuidados são necessários para não perder o aparelho, mas é estarrecedor ter de sugerir que não se utilize o celular na rua. Se as pessoas não puderem usar o aparelho no que ele tem de melhor – a mobilidade –, voltaremos 20 anos no tempo e poderemos sugerir que usem telefone de linha.

*É DIRETOR EXECUTIVO DO INSTITUTO SOU DA PAZ

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